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Poder Naval: Força de Submarinos Russa - maior ameaça submarina da atualidade.


Figura disponível em: https://eng.mil.ru/en/structure/forces/navy.htm

Após o fim da União Soviética o mundo viu a decadência do poderio militar russo, mas com a ascensão de Vladimir Putin ao poder a Rússia tenta reviver o prestígio militar do passado, e com isso a sua Força de Submarinos recebeu vários investimentos cujos resultados podem ser verificados pelos projetos de desenvolvimento de novas classes de submarinos e de armamentos mais letais, em que pese a redução do número de submarinos da era soviética para a atual.

No nosso artigo intitulado "Ártico: palco de novas disputas geopolíticas, como no passado", disponível em https://www.atitoxavier.com/post/ártico-palco-de-novas-disputas-geopolíticas-como-no-passado, afirmamos que no cenário de militarização russa do Ártico, com o rejuvenescimento da sua Força de Submarinos, e o interesse chinês na região, e a maior presença das marinhas russa e chinesa no Atlântico Norte, os EUA reativaram a Segunda Frota, e pela primeira vez, depois de mais de 30 anos após o fim da Guerra Fria, a marinha estadunidense (US Navy) tem realizado viagens regulares ao círculo ártico, deixando claro que está de volta a região, e que está pronta para questionar o "reinado"da força submarina russa na área, bem como defender os seus interesses. Isso faz voltar a importância da guerra antissubmarina, e deixar a área tensa, bem como a OTAN também tem demonstrado preocupação com a ameaça russa na região da Europa do Norte.

Além do citado acima, nos últimos anos tem sido detectada a presença de navios e de submarinos russos nas proximidades dos cabos submarinos no atlântico, o que tem alertado aos países ocidentais sobre uma possível interferência, destruição ou tentativa de monitoramento das comunicações que escoam por essa infraestrutura crítica.

Tal assunto, também, foi alvo de preocupação por parte da nossa Marinha e que abordamos no nosso artigo "Seção Inteligência: Inteligência russa e os possíveis interesses no Brasil" que pode ser acessado em https://www.atitoxavier.com/post/seção-inteligência-inteligência-russa-e-os-possíveis-interesses-no-brasil, onde dissemos que em 2020 tivemos no Brasil o caso do navio russo de pesquisa e inteligência, chamado Yantar, navegando próximo da área por onde passam os cabos submarinos em direção a Europa.

Na figura abaixo podemos ver os principais programas de desenvolvimento de submarinos da Rússia:

Figura disponível em: https://specials-images.forbesimg.com/imageserve/5edd5042a87c5c0006b38a64/960x0.jpg?cropX1=0&cropX2=1350&cropY1=28&cropY2=929

Podemos ver a disposição das bases de submarinos russos na figura abaixo:

Figura disponível em: https://www.usni.org/sites/default/files/Online-Graphic.png

Convém mencionar que os submarinos estratégicos (SSBN), que podem lançar mísseis com ogivas nucleares, são baseados na Northern Fleet e na Pacific Fleet.

A composição da Força de Submarinos Russa é formada basicamente por 5 grupos, e que utilizaremos a denominação mais conhecida e empregada pela OTAN. Estima-se que atualmente possua cerca de 60 submarinos operacionais:

  • submarinos convencionais de propulsão diesel-elétrica (SSK) conhecidos como Classe Kilo e Lada;

  • submarinos nucleares de ataque (SSN) como os Classe Sierra, Akula;

  • submarinos nucleares de ataque com capacidade de lançar mísseis de cruzeiro (SSGN) como os da Classe Oscar e Severodvinsk

  • submarinos nucleares estratégicos (SSBN) formados por submarinos da Classe Borei e Delta;

  • submarinos para atividades especiais com capacidade para operar em águas profundas e de realizar espionagem, em que se destaca o submarino de propulsão nuclear Belgorod. Tais submarinos ficarão subordinados a Northern Fleet.

É digno de nota que a Base de Tartus na Síria pode apoiar os submarinos da Esquadra do Mar Negro, o que aumenta flexibilidade de emprego no Mediterrâneo.

Os submarinos russos são conhecidos por serem bastante silenciosos e furtivos. Ademais, estão sempre sendo colocados a prova em seu deslocamento para atingir as águas do Atlântico, pois têm que passar pela vigilância dos países da OTAN.

Nesse sentido, sua furtividade ficou comprovada na Operação Atrina, ocorrida em 1987, onde cinco submarinos da Northern Fleet, era soviética, operaram na costa leste dos EUA passando incólumes pelas forças da OTAN, elevando o prestígio da Força de Submarinos Russa.

Em 2019 foi verificada uma grande movimentação de submarinos russos da Northern Fleet, em possíveis missões sigilosas, em direção ao Atlântico Norte. De acordo com a Inteligência da Noruega os russos estariam utilizando a Operação Grom, que foi uma série de exercícios de lançamentos e testes de armamentos, como uma nova demonstração de poder em atingir a costa leste dos EUA, bem como em testar a capacidade antissubmarina da OTAN, a exemplo do realizado na Operação Atrina.

Figura disponível em: https://i.dailymail.co.uk/1s/2019/10/31/11/20421010-0-image-a-5_1572520892480.jpg

Nesse diapasão outras demonstrações de força têm sido realizadas pelos seus submarinos, como o recente lançamento de quatro mísseis realizados no Mar de Okhotsk. Por coincidência o exercício ocorreu poucos meses antes de vencer o acordo de armas nucleares, conhecido como New START (Strategic Arms Reduction Treaty), entre os EUA e a Rússia. O tratado acabou sendo estendido até 2026 em recente negociação entre Biden e Putin.

Figura disponível em: https://i.dailymail.co.uk/1s/2020/12/12/19/36765150-9046425-image-a-31_1607801385522.jpg

É importante mencionar que o governo russo divulgou o desenvolvimento do torpedo de propulsão nuclear, também chamado de drone submarino, Poseidon que pode carregar uma ogiva nuclear com grande capacidade de destruição (poderia gerar um Tsunami próximo da costa que se deseja atingir), sendo o maior torpedo já desenvolvido no mundo, e que só pode ser lançado por submarinos adaptados para isso, como o Belgorod, e do projeto de desenvolvimento do submarino Classe Khabarovsk.

Figura disponível em: https://i.dailymail.co.uk/1s/2019/04/20/22/12521120-0-image-a-3_1555795662766.jpg

As principais tarefas dos submarinos russos constam no link https://eng.mil.ru/en/structure/forces/navy/structure/submarine_forces.htm :


The main tasks of the Submarine Forces are as follows: defeating important enemy ground facilities, searching and destroying enemy submarines, aircraft carriers and other surface ships, landing units, convoys, single transports (vessels) at sea; reconnaissance, the strike force’s targeting and target data transmission to it, destroying off-shore oil and gas facilities, landing special reconnaissance groups (units) on the coast of the enemy, mine laying and others


O Blog é de opinião que a Força de Submarinos Russa é vista com bastante preocupação pelos EUA e pelos países europeus, principalmente da região norte da Europa, sendo considerada como uma ameaça latente, devido a sua capacidade de destruição, que foi potencializada pelo desenvolvimento de novos armamentos, modernização dos seus mísseis de cruzeiro e dos seus sistemas de combate, bem como pelo incremento do nível de adestramento.

Outrossim, em que pese as tarefas dos submarinos russos, que estão disponíveis na página de sua marinha, podemos sintetizá-las no tripé: destruição dos porta-aviões dos EUA - dissuasão estratégica - guerra submarina. Além disso, a possível capacidade de atingir os cabos submarinos, em alguma medida, requer uma atenção e o desenvolvimento de medidas para aumentar a segurança dessa infraestrutura crítica de comunicações.

Nesse cenário, a guerra antissubmarina voltar a ganhar destaque no cenário internacional.

Dessa forma, torna-se fundamental que a Marinha do Brasil atente para a guerra antissubmarina e que o nosso país estude meios para aumentar a segurança de suas comunicações estratégicas, bem como tenha métodos alternativos para fazer frente a um possível comprometimento dos cabos submarinos.

Qual a sua opinião sobre o assunto?

Seguem alguns vídeos para ajudar em nossas análises. Os quatro últimos vídeos são de programas russos e que recomendamos que sejam vistos, em que pese serem uma evidente propaganda:

Matéria de 03/04/2019:

Matéria de 15/04/2016:

Matéria de 28/04/2019:

Matéria de 12/12/2020:

Matéria de 2015:

Matéria de 15/12/2017:

Matéria de 24/04/2019:

Matéria de 12/02/2019:

Matéria de 06/08/2019:

Matéria de 20/10/2017:

Matéria de 26/10/2015:

Matéria de 19/03/2019:

Matéria de 03/06/2015:

Vídeos de programas russos. Em que pese ser uma propaganda russa, vale a pena para conhecer:

Matéria de 27/01/2019:

Matéria de 03/02/2019:

Matéria de 16/09/2020:

Matéria de 05/08/2018:




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