Disputa marítima: aumenta a tensão entre Israel e Líbano pela exploração de gás no mar.


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O Blog vem acompanhando a disputa marítima entre o Líbano e Israel, que envolve o direito de exploração de reservas de gás, que é estratégico para ambos os países devido a motivos econômicos, e de segurança energética. Tal querela vem sendo mediada pelos EUA.

No artigo "Israel poderá se tornar uma potência naval? Mediterrâneo Oriental terá mais um player importante?", de 06 de novembro de 2020, disponível em: https://www.atitoxavier.com/post/israel-poderá-se-tornar-uma-potência-naval-mediterrâneo-oriental-terá-mais-um-player-importante falamos que a área marítima de Israel, apesar de pequenas dimensões, tem ganhado grande importância devido as reservas de gás que foram descobertas e que possibilitarão incrementar a segurança energética e a economia do país. Além disso, dissemos, também, que existe uma região que está sendo disputada com o Líbano, que poderá maximizar a exploração de gás pelo governo de Tel Aviv. Tal disputa é estratégica, pois permitirá a Israel ter acesso as reservas de gás nas águas jurisdicionais libanesas, bem como para o governo de Beirute devido a urgência de iniciar a exploração dos recursos com o intuito de dinamizar a sua combalida economia. Não podemos esquecer que existem outros interesses envolvidos, como o Irã que, por meio do seu aliado Hezbollah, poderá atrapalhar as negociações. Outro fato digno de nota é que Israel pretende exportar gás para a Europa, por meio de parceria com a Grécia e o Chipre, através de gasoduto até a Itália. Ademais, o gasoduto fica nas proximidades da Faixa de Gaza, onde o grupo Hamas poderá realizar ações contra essa exportação.


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Nesse cenário, recentemente houve um aumento da tensão na disputa marítima entre esses países quando Israel decidiu iniciar, previsto para a partir de setembro deste ano, a exploração de gás no campo Karish, por meio de uma nova plataforma de exploração, conforme a figura abaixo:


Figura disponível em: https://www.naturalgasintel.com/wp-content/uploads/2022/06/Israel-Offshore-Oil-and-Gas-Fields-20220606.png

O gás proveniente desse campo terá a Europa Ocidental como principal mercado consumidor, de acordo com o pronunciamento do Ministra de Infraestruturas Nacionais, Energia e Recursos Hídricos israelense, Karine Elharrar:


"[...] focused on promoting renewable energies for the past year, but is now gearing up to help Europe diversify its sources of energy. [...] The global energy crisis is an opportunity for the State of Israel to export larger quantities of natural gas, alongside the genuine and sincere concern about the events taking place in Europe,”


A exploração do gás no mar por Israel poderá alçar o país como um ator importante na geopolítica energética, pois poderá reduzir a dependência europeia do gás do russo. Sendo assim, é compreensível os investimentos de países europeus, como a Alemanha, na infraestrutura de exploração e de exportação de gás israelense.

O planejamento proposto pela União Europeia é que o gás israelense escoe para o território europeu via Egito, onde seria liquidificado e enviado por via marítima, beneficiando também economicamente os egípcios.

Esse fato recebeu reclamações veementes do Líbano que alega que a plataforma e navios na marinha israelense, que estariam protegendo-a, teriam entrado em suas águas territoriais, pois esse campo de exploração estaria na área marítima em disputa com Israel. Além disso, o governo libanês disse que considerará a exploração de gás pelos israelenses como uma provocação e um ato hostil.

A figura abaixo mostra a interpretação atual libanesa, de outubro de 2020, do que seria a sua fronteira marítima com Israel. Essa versão difere da que foi apresentada à ONU em 2011. Na atual versão existe um incremento de 1.430 km2, o que faz com que o campo Karish esteja na região disputada.

Na figura, o ponto 1 seria o pleito israelense; o ponto 23 seria o pleito libanês de 2010; o ponto H seria a proposta do mediador estadunidense Frederic Hof, que divide a área disputada em 55% para o Líbano e 45% para Israel; e o ponto 29 é o último pleito libanês de 2020.

É digno de nota que o Líbano não aceitou a proposta do mediador dos EUA.


Figura disponível em: https://lebanongasnews.com/wp/wp-content/uploads/2021/01/image.png

Entretanto, tanto para Israel, quanto para os EUA a futura área de exploração não fica localizada na região em disputa.

Dessa forma, o líder do Hezbollah ameaçou em retaliar militarmente, caso haja a exploração do gás em detrimento da soberania e dos interesses libaneses, ou seja, a exploração unilateral do gás por parte de Israel, trazendo mais instabilidade numa região tão conturbada:


"if Israel prevents Lebanon from extracting gas from the disputed areas, Hezbollah will also prevent Israel from removing the gas. No foreign company will reach Karish when the resistance launches a threat…" (fonte: https://israel-alma.org/2022/06/09/lebanon-is-the-arrival-of-the-israeli-drilling-rig-in-the-karish-gas-field-a-catalyst-toward-an-agreement-in-negotiations-or-towards-an-escalation/)


Em nossa visão, esse discurso do Hezbollah é uma oportunidade para tentar melhorar a sua imagem política que está desgastada no seio da população libanesa, como analisamos no artigo "O futuro político do Líbano - o país continuará sendo um palco de disputas geopolíticas?", acessível em https://www.atitoxavier.com/post/o-futuro-político-do-líbano-o-país-continuará-sendo-um-palco-de-disputas-geopolíticas.

O Blog é de opinião de que a atual visão libanesa acerca do limite das suas águas jurisdicionais, se deve a uma estratégia de renegociação, visando aumentar os limites da sua fronteira marítima com Israel para conseguir melhores condições de barganha.

Outrossim, não acreditamos que haverá uma escalada militar do grupo Hezbollah contra Israel. Entretanto, isso é mais um fator de instabilidade na região.

No futuro próximo, a exploração do gás marítimo por Israel, tendo como mercado a Europa e os países do seu entorno, poderá transformar o país num ator relevante na geopolítica energética mundial, transformando-o de importador a exportador de gás. Destarte, o conflito da Ucrânia poderá potencializar a atividade de exploração israelense.

Dessa forma, isso ratifica a importância dos investimentos que o governo israelense tem feito em sua marinha, conforme analisamos no nosso artigo "Israel poderá se tornar uma potência naval? Mediterrâneo Oriental terá mais um player importante?", visando proteger e garantir a exploração de suas riquezas no mar.

Qual a sua opinião?

Seguem alguns vídeos para ajudar a nossa análise:

Matéria de 21/02/2017: Nesse vídeo podemos ver as perspectivas de futuro em relação a economia do mar de Israel.

Matéria de 05/06/2022:

Matéria de :

Matéria de 09/06/2022:

Matéria de :

Matéria de 03/06/2022:

Matéria de 23/01/2020: