Crise no Equador - tentativa de derrubada do governo.


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O Equador vem passando por grande instabilidade política desde que o Presidente Guilhermo Lasso, de orientação política de direita, assumiu o poder. Tal situação é potencializada pela maioria da Assembleia equatoriana, que é formada pela oposição ao seu governo.

Na visão de Lasso existe uma conspiração para destituí-lo do poder, que seria o resultado da vontade da esquerda em retornar ao poder. Para tanto, haveria uma união de esforços entre o ex-Presidente Rafael Correa, Jaime Nebot, que é um influente líder político do Partido Social Cristão e que foi duas vezes candidato a presidente, bem como foi prefeito de Guaiaquil, e Leonidas Iza, importante líder indígena da Confederação das Nacionalidades Indígenas (CONAIE). Entretanto, não existe confirmação sobre a aliança desses líderes políticos.

É digno de nota que o Equador tem uma história marcada por instabilidades políticas, pois no período de 1997 a 2007 teve 7 presidentes, em que nenhum terminou o seu mandato. Após esse período, assumiu Rafael Correa, de orientação política de esquerda, que permaneceu no poder por 10 anos, até que deixou o cargo, passando ao seu vice, Lenin Moreno, eleito em disputa presidencial. O governo de Moreno foi marcado por uma das piores crises econômicas do país, potencializada pela pandemia da COVID-19, e cuja economia é dependente da produção de petróleo.

Convém mencionar, que Correa foi condenado a oito anos de prisão, em 2020, por corrupção relacionada a empreiteira brasileira Odebrecht, não tendo sido preso por ter conseguido se exilar na Bélgica. Ele afirma que é um perseguido político, e que seria vítima de um tipo de lawfare sul-americano - seria o emprego do judiciário, de forma parcial e abusiva, para perseguir adversários políticos.

Nesse cenário, em 2021, Lasso assumiu o governo, por meio da vitória na eleição presidencial, tendo como um dos desafios recuperar a economia extremamente debilitada, e com uma crise social no horizonte, com perspectiva de uma forte instabilidade interna, o que veio a ocorrer, desde o início do seu mandato até os dias de hoje. Além disso, o país estava vivenciando um problema em relação a segurança pública.

Dessa forma, a política de Lasso para tentar reativar a economia aliada às reivindicações sociais, à forte repressão do governo as manifestações, ao aumento dos combustíveis e à oposição política fizeram com que eclodisse, em 13 de junho, violentos protestos pelo país, resultando em mortes tanto de manifestantes, quanto das forças governamentais. Além disso, a Assembleia começou a estudar a possibilidade de destituir Lasso do poder, e convocar novas eleições.

Ressalta-se que Correa estaria liderando uma parte da oposição, por meio da aliança UNES (União pela Esperança), que reúne diversos partidos, organização sociais e indígenas.

Um fato interessante é que Correa no passado, durante o seu governo em 2015, chegou a criticar os protestos sociais dos indígenas, notadamente a CONAIE (no final desse artigo existe um vídeo que demonstra essa informação). Entretanto, agora ele está apoiando tanto os protestos liderados por aquela organização, quanto as eleições antecipadas.

Nesse quadro, após a intermediação da Igreja Católica, em 30 de junho, o governo e os manifestantes, representados por Iza, assumiram um acordo que encerra, momentaneamente - 90 dias, os protestos pelo país. No acordo, o governo se compromete a atender os principais termos dos manifestantes, sendo uma vitória para Iza e para a oposição, pois enfraquece Lasso ainda mais.

Outrossim, em nossa análise, Leonidas Iza surge como uma das principais lideranças da esquerda no Equador e que poderá no futuro se lançar a algum cargo político, como Evo Morales na Bolívia e Pedro Castillo no Peru.

Em nosso artigo "O futuro governo da Colômbia e a atual tendência ideológica da América do Sul", disponível em https://www.atitoxavier.com/post/o-futuro-governo-da-colômbia-e-a-atual-tendência-ideológica-da-américa-do-sul, vimos que o Equador é um dos quatro países na América do Sul cujo governo é de direita, em que a atual tendência é de ter países governados por orientação política de esquerda.

O Blog vê na situação interna do Equador semelhanças com os ocorridos na Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia e Peru, onde houve fortes manifestações populares em prol de reivindicações sociais, e que contribuíram para o retorno da esquerda ao poder.

Outrossim, fica a pergunta se Lasso terminará o seu mandato, ou se seguirá o mesmo destino dos presidentes equatorianos do período de 1997 - 2007.

Qual a sua opinião?

Resta-nos a acompanhar o desenrolar dos acontecimentos, pois o Equador encontra-se no Entorno Estratégico Brasileiro.

Seguem alguns vídeos para auxiliar as nossas análises:

Matéria de 01/07/2022:

Matéria de 01/07/2022:

Matéria de 08/07/2020:

Matéria de 24/06/2022:

Matéria de 30/06/2022:

Matéria de 24/06/2022:

Matéria de 29/06/2022:

Matéria de 30/06/2022:

Matéria de 28/06/2022:

Matéria de 08/07/2020: