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A crise sino-australiana: estudo de caso para o Brasil.


Figura disponível em: https://www.confuciusinstitute.uwa.edu.au/__data/assets/image/0019/3106351/China-in-Conversation-Kangaroo.jpeg

As relações entre os governos australiano e chinês estão muito abaladas, e encontram-se em seu pior nível de suas histórias. Isso se deve a Austrália apoiar uma investigação independente sobre a origem do novo coronavírus, o que deixou a China extremamente irritada, pois para o Partido Comunista Chinês (PCC) trata-se de uma situação incômoda e embaraçosa, ainda mais porque esta iniciativa se alinha aos EUA em sua acusação de que a China é a culpada pela pandemia da COVID-19.

Em resposta a iniciativa australiana, Pequim implementou, por meio da sua diplomacia mais assertiva, algumas retaliações econômicas, dentre elas destacamos a elevação das tarifas de produtos importados australianos. Além disso, o governo chinês vem noticiando que os estudantes chineses devem ter cuidado nas universidades da Austrália, devido a ocorrência de casos de racismo (o que é negado veementemente pelo governo australiano).

Convém mencionar que a China é o principal parceiro econômico da Austrália, e os gastos dos estudantes chineses naquele país respondem pela quarta maior fonte de recursos na economia australiana. Ademais, não podemos esquecer do setor turístico australiano que aufere muitos recursos dos visitantes chineses. Nesse sentido, verifica-se que a economia do país é dependente da China.

O governo australiano realizou pronunciamento que não se curvará a política coercitiva chinesa.

Em meio a tensão entre os dois governos foram reportados pela Austrália os seguintes atos chineses, que são considerados graves, e que encontram-se sob investigação:

  • espionagem chinesa em órgãos governamentais e universidades;

  • cooptação de políticos, com o intuito de influenciar em políticas favoráveis a China; e

  • ataques cibernéticos ao governo.

A China não reconhece as acusações e alega que os EUA estão usando/influenciando a Austrália como "proxy war"(Guerra por Procuração), conforme já discutido no Blog em postagens anteriores. É digno de nota que a Austrália é um aliado fiel aos EUA.

Nesse cenário, o governo australiano anunciou grandes investimentos em suas Forças Armadas e na Defesa Cibernética, sugiro a releitura da postagem Aliança Índia e Austrália: contenção contra a China, disponível em: https://www.atitoxavier.com/post/aliança-índia-e-austrália-contenção-contra-a-china . Outrossim, tem sido oferecido a Hong Kong vistos permanentes para os seus estudantes, além de facilidades para o estabelecimento de suas indústrias na Austrália. Também está sendo estudado como diminuir a sua dependência econômica da China, por meio da diversificação do seu mercado exportador, o que não será conseguido em curto e médio prazos. Com isso, vem tentando resolver a crise diplomaticamente.

Por outro lado os EUA estão pressionando a Austrália para não se alinhar à China no tocante a tecnologia 5G.

Ao analisarmos essa crise, verificamos que a China emprega a "guerra de informação", e uma política coercitiva por meio da sua diplomacia assertiva ("wolf warriors"), visando atingir os seus objetivos, e que a Austrália encontra-se no meio da disputa entre as grandes potências, sendo dependente economicamente da China e um grande aliado político-militar dos EUA.

Nesse diapasão, o Blog enxerga algumas semelhanças da situação australiana com a brasileira, pois assim como aquele país temos a China como principal parceiro econômico, os EUA como grande aliado, e em breve poderemos estar no meio de uma disputa entre essas potências (concorrência pela tecnologia 5G, acusações à China por membros do governo etc). Sendo assim, acreditamos que devemos acompanhar como essa crise acabará, a fim de nos prepararmos adequadamente para um cenário equivalente.

Qual a sua opinião sobre o tema? Precisamos nos preocupar?

Seguem alguns vídeos para aprofundarmos a nossa análise:


O vídeo abaixo mostra a visão chinesa sobre a crise:









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