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Índia: aliado estratégico para o Brasil. Parte III.


Figura disponível em https://www.oliverstuenkel.com/images/2010/09/brazil-india-1280x680-featured.jpg

O Blog, desde 2020, vem afirmando que a Índia seria um aliado estratégico para o Brasil, conforme as nossas análises constantes nos artigos:


a) "Índia: aliado estratégico para o Brasil no período de disputa geopolítica entre a China e os EUA", de 16 de outubro de 2020, disponível em https://www.atitoxavier.com/post/índia-aliado-estratégico-para-o-brasil-no-período-de-disputa-geopolítica-entre-a-china-e-os-eua, no qual afirmamos que tanto o Brasil quanto a Índia possuem muitas características, realidades e objetivos em comum. Ademais, o nosso país é o principal parceiro comercial da Índia na América do Sul. Dentre as várias análises, falamos que a Índia seria um aliado e parceiro em condições mais próximas da realidade brasileira do que a China, sendo essa aliança a mais lógica, pois são duas potências que tentam se consolidar na liderança em suas regiões, bem como tentam um maior protagonismo na agenda internacional. Além disso, o Brasil seria uma alternativa confiável e segura para a Índia em expandir a sua economia, e para auxiliar em sua segurança energética (biocombustível (etanol) e petróleo) e alimentar (agronegócio). Na outra ponta, a Índia possui a tecnologia de que necessitamos para podermos nos desenvolver de forma menos dependente da China e dos EUA. Portanto, concluímos no artigo que a Índia seria um aliado estratégico para o Brasil, e que somente o estabelecimento de uma parceria e aliança entre as partes poderia diminuir as vulnerabilidades desses Estados, contribuindo para o atingimento dos objetivos geopolíticos indo-brasileiros, bem como ajudando nas suas consolidações como líderes regionais, num período de competição entre as grandes potências; e


b) "Índia: aliado estratégico para o Brasil - Geopolítica Espacial. Parte II", de 24 de abril de 2022, acessível em https://www.atitoxavier.com/post/índia-aliado-estratégico-para-o-brasil-geopolítica-espacial-parte-ii, verificamos que a parceria espacial com a Índia seria fundamental para podermos no futuro sermos autossuficientes nessa tecnologia, ainda mais quando o programa espacial brasileiro possui um menor custo, sendo mais realístico com as capacidades brasileiras.


Nesse sentido, as nossas análises sobre a importância da Índia para o Brasil vêm sendo confirmadas, quando verificamos as possibilidades de cooperação nas áreas de energia, tecnologia, contraterrorismo, defesa e espacial, que foram discutidas entre os governos destes países na reunião '2+2' defence and foreign ministerial dialogue, ocorrida em 14 e 15 de março na cidade de Nova Déli, onde se reuniram representantes dos Ministérios da Defesa e das Relações Exteriores de ambos os países, sendo o primeiro encontro deste nível entre eles.

Convém mencionar que o Brasil possui duas grandes empresas do setor de Defesa com filiais na Índia: a CBC e a Taurus. Além disso, os indianos demonstram interesse em fazer uma parceria com a EMBRAER, por meio da empresa Mahindra, no tocante ao fornecimento de aeronaves C-390 Millenium para a Força Aérea da Índia, em seu projeto Medium Transport Aircraft (MTA), conforme podemos ver na nota abaixo, de 09 de fevereiro de 2024:


"We are honored to announce this MoU with Mahindra . India has a diverse and strong defense and aerospace industry and we have chosen Mahindra as our partner to jointly pursue the MTA program” said Mr Bosco da Costa Junior, President & CEO, Embraer Defense & Security. “India is a key market for Embraer and we fully support India’s ambitions for ‘Atmanirbhar Bharat’. We see this partnership as a symbol of strengthening relations between Brazil and India and a way to foster Global South cooperation.” (fonte: EMBRAER, disponível em https://www.embraer.com/global/en/news?slug=1207340-embraer-and-mahindra-announce-collaboration-on-the-c-390-millennium-medium-transport-aircraft-in-india)


Além disso, é importante frisar que as marinhas dos dois países têm discutido uma possível cooperação no tocante a manutenção dos submarinos Classe Scorpene, que é de grande interesse para os indianos, visando adquirirem uma maior autonomia nesse quesito, como podemos ver a seguir:


"India’s indigenization efforts in submarine maintenance represent a commitment to achieve this self-reliance. This includes developing the capability to perform essential maintenance tasks, repairs, and upgrades locally. By doing so, India aims to enhance its naval preparedness and contribute to the overall strength and security of the Indian Ocean region.

The collaboration with Brazil in this endeavour is significant. Brazil possesses valuable expertise in naval matters, particularly in areas related to submarine maintenance. By sharing knowledge and best practices, India can accelerate its progress towards self-reliance. This partnership also underscores the spirit of international cooperation in addressing common challenges and objectives." (fonte: https://www.financialexpress.com/business/defence-india-brazil-naval-cooperation-a-partnership-in-submarine-maintenance-3235648/)


Neste sentido, a Marinha do Brasil poderá se beneficiar com a experiência e a tecnologia da marinha indiana, por meio de uma cooperação técnica, o que seria bastante interessante no futuro, em virtude da construção do submarino nuclear brasileiro.

Logo, vemos que os setores brasileiros do agronegócio, do petróleo e de defesa são estratégicos para a parceria com a Índia, o que em contrapartida o Brasil poderia se beneficiar com as partes tecnológica, notadamente a fármaco e defesa (mísseis e obuseiros), e espacial indianas.

Em 2022, o Brasil exportou 6,43 bilhões de dólares para a Índia e este país exportou para o nosso país 9,78 bilhões, como podemos ver no gráfico. Ademais, também podemos verificar que as exportações entre os países vêm aumentando a cada ano.

Maiores detalhes sobre o comércio Brasil-Índia podem ser obtidos no link https://oec.world/en/profile/bilateral-country/bra/partner/ind:


Figura disponível em https://oec.world/en/profile/bilateral-country/bra/partner/ind

Figura disponível em https://tradingeconomics.com/india/exports/brazil

É importante refletir que o mercado chinês (principal parceiro comercial do Brasil, atualmente) vem tendo alguns problemas, enquanto o indiano está tendo uma franca expansão, ainda mais quando a Índia se transformou no país mais populoso do mundo, tendo como um grande desafio alimentar a sua sociedade, o que se revela uma oportunidade para o Brasil, que é um grande produtor de alimentos.

Outro fator importante é que devido a disputa entre o Ocidente e a China, vários países têm procurado alternativas aos chineses, vendo nos indianos uma possível solução.

Portanto, devido as similaridades entre o Brasil e a Índia, como afirmamos nos artigos citados no início dessa matéria, continuamos a acreditar e a afirmar que uma parceria estratégia entre estes dois "gigantes" seria fundamental para termos uma maior autonomia, quando os nossos dois principais parceiros (EUA e China) estão travando uma disputa geopolítica acirrada.

O Blog é de opinião que o Brasil deve estabelecer uma parceria estratégica com a Índia, visando mitigar os possíveis impactos da disputa geopolítica entre as grandes potências, bem como isso contribuirá para podermos nos consolidar como uma potência regional.

Com o exposto, continuamos a manter como válidas as nossas análises e opiniões manifestadas nos artigos de referência dessa matéria.

Qual a sua opinião?

Seguem alguns vídeos para auxiliar a nossa análise:

Matéria de 09/02/2024:

Matéria de 13/02/2024:

Matéria de 02/07/2021:


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