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Poder Naval Russo: em busca de maior protagonismo.


Figura disponível em: https://www.navalnews.com/wp-content/uploads/2020/04/Russian_cruiser_Moskva-770x410.jpg

A Rússia tem sido considerada a principal ameaça militar aos países da OTAN, e com isso eleva a sensação de insegurança na comunidade internacional, em virtude de sua agressividade e imprevisibilidade geopolítica, conforme a nossa análise constante no nosso artigo "Rússia: a principal ameaça a paz e a segurança internacional no atual cenário mundial", disponível em https://www.atitoxavier.com/post/rússia-a-principal-ameaça-a-paz-e-a-segurança-internacional-no-atual-cenário-mundial. Além disso, fizemos questão de lembrar ao leitor que os russos estão tentando ampliar a sua influência no mundo, notadamente na África e na América do Sul. Dessa forma, devemos acompanhar com atenção os movimentos russos no nosso Entorno Estratégico, pois poderemos ser impactados na problemática estadunidense - europeia - russa.

No dia do aniversário da Marinha da Rússia, 25 de julho, foi realizada uma parada naval em que houve uma demonstração de força, por meio do aparato mobilizado. O presidente Vladimir Putin, em seu discurso, informou que a marinha do seu país será armada com mísseis hipersônicos (Zircon) carregando ogivas nucleares, bem como com drones submarinos nucleares. Além disso, frisou que a marinha russa crescerá em tamanho e capacidade, conforme podemos ver em trechos de seu discurso, disponível em https://news.cgtn.com/news/2020-07-26/Putin-Russian-Navy-to-be-armed-with-hypersonic-strike-systems-SrAFuwMNiw/index.html:

"This year, 40 ships and vessels of various classes will be put into service with [the navy]. [...] Unique advantages and improving the fleet's combat capabilities will be achieved due to broad introduction of advanced digital technologies, the world's unparalleled hypersonic strike systems, unmanned underwater vehicles and due to the most effective self-defense means [...] Work is being successfully completed to create modern weapons systems for the navy".

Outrossim, além do citado acima, Putin alertou que a sua marinha possui capacidade para efetuar ataques contra alvos inimigos, e que não poderão ser defendidos, ou seja pode destruir qualquer alvo, se for do interesse nacional russo.

Nesse sentido, o Poder Naval de um país é uma valiosa e importante "ferramenta" para projetar poder, bem como para influenciar alguns países. Dessa forma, o Blog vem acompanhando a marinha russa, onde em nosso artigo "Poder Naval: Força de Submarinos Russa - maior ameaça submarina da atualidade", acessível em https://www.atitoxavier.com/post/poder-naval-força-de-submarinos-russa-maior-ameaça-submarina-da-atualidade, afirmamos que a Força de Submarinos Russa é vista com bastante preocupação pelos EUA e pelos países europeus, principalmente na região norte da Europa, sendo considerada como uma ameaça latente, devido a sua capacidade de destruição, que foi potencializada pelo desenvolvimento de novos armamentos, modernização dos seus mísseis de cruzeiro e dos seus sistemas de combate, bem como pelo incremento do nível de adestramento, e que as tarefas dos submarinos russos podem ser sintetizadas no tripé destruição dos porta-aviões dos EUA - dissuasão estratégica - guerra submarina, o que fez com que a guerra antissubmarino voltasse a ganhar destaque no cenário internacional.

Convém mencionar que durante a Guerra Fria a ex-União soviética possuía a segunda marinha de guerra do mundo, só ficando atrás dos EUA. A Rússia herdou uma força naval sucateada, e nos dias atuais foi ultrapassada pela China. Porém, desde que Vladimir Putin assumiu o poder, ele vem reconstruindo a marinha russa, onde priorizou a Força de Submarinos e os navios menores como Fragatas e Corvetas, tendo como premissas: a defesa do território russo, a preservação da sua esfera de influência e uma força dissuasória crível, notadamente as forças navais do Mar Negro, Mar Báltico, Mar Cáspio e Ártico. Para tanto, os novos meios navais possuem uma grande capacidade de destruição.

Com as premissas atendidas, o governo russo, aos poucos, vem tentando desenvolver uma marinha de águas azuis, visando atingir dois objetivos: rivalizar com os EUA e aumentar a sua esfera de influência geopolítica para além do perímetro vital de defesa. Dessa forma, vemos a marinha russa ganhando musculatura no Mediterrâneo, e com uma firme intenção de possuir uma base no Sudão, conforme podemos ver nos nossos artigos:

- " A importância da Síria para a Rússia", disponível em https://www.atitoxavier.com/post/a-importância-da-síria-para-a-rússia, em que falamos que a maior perda geopolítica para a Rússia seria a queda do regime de Bashar al Assad, pois a Síria possui um acordo estratégico com Moscou sobre a utilização pela marinha russa da Base Naval de Tartus. Essa Base é muito importante geopoliticamente para a Rússia, pois permite que esse país possua meios navais no Mar Mediterrâneo sem a necessidade de retornar para o país, o que permitirá aos russos uma presença constante na região, o que possibilita Putin exercer certa influência geopolítica no Mediterrâneo, principalmente no Oriente Médio e nos países do norte da África. Ademais, a presença dos meios navais russos impacta psicologicamente nos países da região. Convém destacar que geograficamente a Rússia possui uma limitação muito séria para acessar o Mediterrâneo, pois precisa vir pelo norte da Europa entrando pelo Estreito de Gibraltar (longo caminho) ou passar pelo Mar Negro (menor caminho), ficando na dependência da Turquia;

- " A nova base russa e a sua importância geopolítica", acessível em https://www.atitoxavier.com/post/a-nova-base-russa-e-a-sua-importância-geopolítica onde afirmamos que o estabelecimento de uma base no Sudão é geopoliticamente muito importante para a Rússia, pois aumentará o alcance do seu poderio político-militar na região do Mediterrâneo, Oriente Médio e África, o que coloca pressão na OTAN. Além disso, mantém firme a rivalidade com os EUA. Também concordamos que é uma oportunidade para o estreitamento de laços indo - russo.

Vemos, acima, que a Rússia se encaminha para ter duas bases navais no exterior.

Sendo assim, podemos concluir que Putin priorizou inicialmente a defesa da Rússia e da manutenção da sua esfera de influência geopolítica, e que agora objetiva se tornar uma potência naval, e que, em nossa visão, seguirá alguns preceitos de Mahan, assim como a China o fez.

A afirmação acima pode ser ratificada pelo reparo e modernização do porta-aviões Almirante Kuznetsov, pela intenção do desenvolvimento de outro no estado da arte, com capacidade anfíbia, e que está sendo conhecido como Varan. Além disso, existem planos de construção de outros navios de grande porte, tanto para operações anfíbias quanto para a função de escolta.

Nesse diapasão, o Blog enxerga algumas similaridades entre a construção do poder naval chinês e a reconstrução do poder naval russo, ainda mais quando vemos a preocupação com o desenvolvimento de sistemas anti-acesso e de negação de área, conhecido como A2/AD (Anti Access and Area Denial)

Na figuras abaixo podemos ver, respectivamente, o inventário do poder naval russo, bem como as suas principais bases, e o seu plano de construção de novos meios navais:

Figura disponível em: https://www.oni.navy.mil/Portals/12/Intel%20agencies/russia/Russia_Ship_Silhouettes_2021.png?ver=hrKOr75XjW5QYQzVwlVkhw%3d%3d
Figura disponível em: https://www.oni.navy.mil/Portals/12/Intel%20agencies/russia/Russian_Federation_Navy.jpg?ver=2015-12-14-082035-347
Figura disponível em: https://www.oni.navy.mil/Portals/12/Intel%20agencies/russia/Russian_Navy_New_Construction.jpg?ver=2015-12-14-082028-143

O Blog é de opinião de que em futuro de médio prazo (15 anos) veremos navios russos com presença global, juntamente com os estadunidenses e os chineses disputando por áreas de influência no cenário internacional, o que aumentará, ainda mais, a sensação de estarmos vivendo num mundo inseguro e cada vez mais imprevisível.

Nesse cenário, resta-nos acompanhar com atenção o que acontecerá e nos prepararmos para os possíveis impactos desse quadro no Atlântico Sul.

Com o exposto acima, ratificamos a nossa opinião de que a grande vulnerabilidade do nosso país está na fronteira oriental, ou seja, no mar. Destarte, precisamos de uma marinha preparada para fazer frente aos desafios futuros e que podem ser avistados no horizonte.

Tal tema vem sendo tratado por nós e o leitor encontrará material para estudo em nossa Seção Brasil, disponível em https://www.atitoxavier.com/my-blog/categories/brasil.

Qual a sua opinião?

Seguem alguns vídeos para nos ajudar em nossa análise:

Matéria de 25/07/2021:

Matéria de 25/07/2021:

Matéria de 04/05/2020:

Matéria de 12/02/2021 (vídeo interessante que mostra os projetos navais da marinha russa):

Matéria de 25/07/2021:

Matéria de 26/07/2020:




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