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Taiwan: primeiro teste para Biden em relação à China.


Figura disponível em: https://cdn.images.express.co.uk/img/dynamic/78/590x/Taiwan-news-us-election-Donald-trump-Joe-biden-world-war-3-china-support-1358229.webp?r=1605001038139

O início das relações entre o novo governo dos EUA e a China começaram carregadas com tensão, teste e com recados duros de ambas as partes. No sábado passado quando o Carrier Strike Group estadunidense, liderado pelo USS Theodore Roosevelt, estava navegando pelo Mar do Sul da China em suas rotineiras Operações de Liberdade de Navegação (Freedom of Navagation Operations - FONOPS), Taiwan teve a sua zona de identificação de defesa aérea violada por um grupo aéreo chinês composto por 13 bombardeiros e caças, o que não é normal, pois geralmente a China envia aeronaves de reconhecimento nessas incursões. Tal episódio aconteceu novamente no dia seguinte por um grupo de 15 aeronaves, acordo autoridades taiwanesas.

Nos dias iniciais de seu governo, Biden informou que as relações entre os EUA e Taiwan são sólidas e firmes, o que foi um alento para o governo taiwanês que possuía um certo receio de que o novo mandatário estadunidense não mantivesse o mesmo apoio do governo passado. É digno de nota que a equipe do atual governo dos EUA pretende manter a pressão sobre a China em relação aos temas envolvendo Hong Kong, Taiwan, e disputas nos Mares do Sul da China e China Oriental. Outrossim, os EUA se manifestaram de que a China cesse todas as pressões sobre Taiwan, e que possam negociar esse tema.

Convém mencionar que o governo Trump foi o que mais armou Taiwan e que mais escalou a crise com a China sobre esse tema. Além disso, antes de deixar o poder, o seu governo deu manifestações de apoio diplomático ao governo taiwanês, como a visita da embaixadora estadunidense na ONU, o que sinalizou um possível reconhecimento de Taiwan como Estado soberano, o que piorou ainda mais as relações com a China.

O Blog fez uma análise sobre a situação de Taiwan em seu artigo "Taiwan: peão dos EUA no xadrez geopolítico com a China", disponível em https://www.atitoxavier.com/post/taiwan-peão-dos-eua-no-xadrez-geopolítico-com-a-china, onde afirmamos que a ideia de uma bem sucedida Taiwan democrática não é boa para o comunismo chinês, que o governo taiwanês rejeita a ideia de "um país, dois sistemas", e que a China não aceita a interferência estrangeira em assuntos considerados domésticos, e prevê a anexação taiwanesa, informando que poderá usar a força, caso haja uma proclamação formal de independência. Dessa forma, sugerimos a releitura do artigo.

A manifestação do atual governo de Washington não foi bem vista por Pequim que deu um forte recado ao cenário internacional, mais precisamente aos EUA, que qualquer manifestação ou ato de independência será interpretada como um ato de guerra, e que Taiwan faz parte da China. Ademais, na reunião realizada no Fórum Econômico Mundial, em Davos, o presidente chinês Xi Jinping falou sobre a possibilidade do início de uma nova Guerra Fria, e que não é algo desejável. Aliado a isso, o Ministro das Relações Exteriores chinês urgiu ao governo dos EUA em não enviar sinais a Taiwan que possam reforçar a ideia de independência, e que isso poderia afetar seriamente as relações sino-estadunidense e trazer insegurança e instabilidade ao Estreito de Taiwan.

Seguem, respectivamente, para o conhecimento do leitor, as palavras do porta-voz do Ministério da Defesa chinês, Wu Qian, e que estão disponíveis no link: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/2021/01/28/china-eleva-tom-e-diz-a-taiwan-que-independencia-causaria-guerra, e do porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Ned Price, que podem ser acessadas em https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/2021/01/26/em-teste-ao-governo-biden-china-move-avioes-de-guerra-para-perto-de-taiwan:


"As atividades militares realizadas pelo Exército de Libertação do Povo Chinês no Estreito de Taiwan são ações necessárias para lidar com a atual situação de segurança no Estreito de Taiwan e para salvaguardar a soberania e segurança nacionais. Eles são uma resposta solene às interferências externas e provocações das forças da independência de Taiwan. Um punhado de pessoas em Taiwan buscam a independência da ilha. Advertimos esses elementos da 'independência de Taiwan': aqueles que brincam com fogo vão se queimar e 'independência de Taiwan' significa guerra" (Wu Qian)


"Exortamos Pequim a cessar sua pressão militar, diplomática e econômica contra Taiwan e, em vez disso, (incentivamos a) se envolver em um diálogo significativo com os representantes democraticamente eleitos de Taiwan" (Ned Price)


Alguns analistas afirmam que a China testará o novo governo Biden em relação a Taiwan, enquanto outros dizem que o governo de Pequim tentará invadir Taiwan no momento em que os EUA estão com um caos interno a resolver, além de lidar com outros assuntos mal resolvidos por Trump. No tocante a possibilidade de uma invasão a Taiwan, em futuro próximo, achamos pouco provável a sua ocorrência.

Taiwan alerta que está pronta para se defender contra uma possível invasão chinesa, e vem realizando treinando constantes.

A figura abaixo nos mostra a situação de Taiwan em relação as duas potências:

Figura disponível em: https://www.bnnbloomberg.ca/polopoly_fs/1.1553429.1611569198!/fileimage/httpImage/image.png_gen/derivatives/landscape_620/bc-china-tests-biden-s-resolve-on-strategic-flash-point-of-taiwan.png

Nesse cenário, o governo Biden afirmou ao governo japonês sua disposição em defender o Japão e ficar ao seu lado no tocante a disputa das Ilhas Senkaku com a China, o que coloca o governo de Pequim em alerta.

O Blog é de opinião que a China testará a disposição e o comprometimento político-militar do governo Biden em relação a Taiwan, e que isso servirá de termômetro para as futuras manobras geopolíticas chinesas em relação as disputas nos Mares do Sul da China e da China Oriental. Continuando a nossa análise, a China acredita que a atual presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, está levando a ilha a adotar uma declaração formal de independência, e que a recente incursão aérea é uma mensagem clara de que isso não será tolerado.

Não acreditamos que haverá uma invasão chinesa em curto prazo a Taiwan, mas que continuarão a ocorrer pressões políticas, econômicas e militares chinesas contra o governo taiwanês, bem como a China agirá assertivamente para evitar qualquer interferência externa em assuntos considerados como de sua soberania. Ademais, temos a convicção de que a China empregará a força para evitar a independência taiwanesa.

A situação geopolítica da região dependerá muito de como o governo estadunidense agirá em relação a Taiwan, podendo manter o status quo, ou dragar a região para um conflito que não é desejável para nenhuma das partes. Nesse sentido, os EUA estarão num sério dilema, caso Taiwan se declare formalmente independente da China.

Qual a sua opinião? Será que Taiwan esticará a corda? Você acredita que poderá haver um conflito entre a China e os EUA por Taiwan? A China estaria blefando?

Seguem alguns vídeos para auxiliar em sua análise sobre o tema:

Matéria de 25/01/2021:

Matéria de 28/01/2021:

Matéria de 28/01/2021:

Matéria de 23/01/2021:

Matéria de 24/01/2021:

Matéria de 29/01/2021:

Matéria de 26/01/2021:

Matéria de 26/01/2021:

Matéria de 20/11/2020:

Matéria de 12/01/2021:

Matéria de 19/01/2021:

Matéria de 27/01/2021:

Matéria de 25/01/2021:

Matéria de 17/01/2021:

Matéria de 25/01/2021:

Matéria de 14/11/2020:

Matéria de 12/11/2020:

Matéria de 29/01/2021:

Matéria de 29/01/2021:


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