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Global Gateway: o projeto europeu para tentar conter a influência chinesa.


Figura disponível em: https://i2.wp.com/www.silkroadbriefing.com/news/wp-content/uploads/2021/09/Gateway_EU-i.jpg?resize=900%2C613&quality=90&strip=all&ssl=1

No dia 01 de dezembro de 2021 a União Europeia - UE anunciou a sua mais nova estratégia para tentar conter a influência chinesa no mundo, que tem sido potencializada pelo projeto Belt and Road Initiative - BRI.

A estratégia europeia chamada Global Gateway pretende ser uma alternativa ao financiamento chinês aos países emergentes e menos desenvolvidos. Para tanto, a intenção é disponibilizar cerca de 300 bilhões de euros, entre 2021 e 2027, para projetos que não compitam diretamente com os da BRI, que foca principalmente na melhoria das infraestruturas dos países participantes. Os recursos serão provenientes de instituições públicas e privadas dos países membros da UE.

Dessa forma, o Global Gateway terá como prioridades as áreas de energia (energia limpa), saúde, desenvolvimento de pesquisa, educação, transporte e comunicação digital. Por ocasião da apresentação dessa iniciativa foi afirmado que será um financiamento justo, sem "armadilhas de dívida", e respeitando os valores democráticos e ambientais que estarão alinhados com os padrões europeus, conforme podemos ver nas palavras da Presidente da UE, Ursula von der Leyen:


"COVID-19 has shown how interconnected the world we live in is. As part of our global recovery, we want to redesign how we connect the world to build forward better. The European model is about investing in both hard and soft infrastructure, in sustainable investments in digital, climate and energy, transport, health, education and research, as well as in an enabling environment guaranteeing a level playing field. We will support smart investments in quality infrastructure, respecting the highest social and environmental standards, in line with the EU's democratic values and international norms and standards. The Global Gateway Strategy is a template for how Europe can build more resilient connections with the world."(disponível em https://ec.europa.eu/commission/presscorner/detail/en/ip_21_6433 )


Nesse sentido, podemos ver que foi uma mensagem clara à China, bem como aos países que estão ávidos por investimentos, que o projeto europeu "não cria dependências, mas laços", e que por isso seria um projeto melhor se comparado ao chinês, ainda mais porque seria um programa transparente e acompanhado por uma boa gestão e governança. Oficialmente, o governo de Pequim não emitiu notas condenando o projeto da UE.

Convém mencionar que os chineses não impõem nenhuma norma a ser cumprida aos países participantes da BRI, como a observância de valores democráticos, direitos humanos ou qualquer outra demanda. Além disso, os chineses atendem as demandas dos países parceiros, não tentando impor onde e como os investimentos chineses seriam aplicados, deixando a decisão aos governos parceiros, ao contrário dos europeus, o que permite uma melhor e maior aceitação de seus financiamentos. Dessa forma, podemos inferir que a BRI é de muito mais fácil implementação do que o Global Gateway.

Na análise do Blog, a prioridade da UE seria os países africanos, que atualmente estão bastante comprometidos com os chineses. Assim, enxerga-se uma maior dificuldade para que o seu projeto consiga substituir a BRI, ainda mais porque a China não carrega o rótulo de ter sido uma potência colonialista na África.

Vemos que essa reação europeia é tardia, pois a influência chinesa na África está bem consolidada, e com isso acreditamos que não terá um grande impacto na região, em que pese ser uma oportunidade a ser aproveitada pelos africanos.

É importante deixar registrado que as empresas chinesas vêm ocupando cada vez mais o espaço das empresas europeias, e essa iniciativa da UE tentará reverter ou mitigar esse fato.

Outro evento que devemos considerar é que na última reunião do G7, realizada em junho deste ano, foi anunciado o projeto Build Back Better World (B3W) que também seria uma alternativa ao BRI chinês. Maiores detalhes podem ser acessados no link https://www.whitehouse.gov/briefing-room/statements-releases/2021/06/12/fact-sheet-president-biden-and-g7-leaders-launch-build-back-better-world-b3w-partnership/. Essa iniciativa foi liderada pelo presidente Biden, e está diretamente relacionada a disputa hegemônica com a China. Porém, assim como o Global Gateway da UE, os países a serem contemplados pelo projeto precisam aderir aos princípios e valores ocidentais.

O aspecto positivo dessas iniciativas ocidentais é que fez com que a China mudasse um pouco o seu discurso sobre a BRI, em que pretende alinhar os projetos de investimentos chineses com a emergência climática.

O Blog é de opinião que a iniciativa da UE tenta consolidar a Europa como um Centro de Poder, bem como firmar uma maior independência do apoio dos EUA, iniciada no governo Trump. Outrossim, vemos que se define de forma muito clara duas formas de influenciação geopolítica: a Chinesa e a Ocidental.

Como os três projetos são direcionados a países emergentes e menos desenvolvidos, o nosso país poderá se beneficiar de um deles, cabendo definir qual o modelo que nos atenderá melhor, e para isso faz-se necessário ter um pensamento bastante pragmático na escolha que deve ser feita com o intuito de atender os anseios da sociedade brasileira.

Qual a sua opinião?

Seguem alguns vídeos para nos ajudar em nossa análise:

Matéria de 01/12/2021:

Matéria de 01/12/2021:

Matéria de 01/12/2021:

Matéria de 03/12/2021:

Matéria de 09/06/2021:

Matéria de 13/06/2021:


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