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"Colectivos" venezuelanos: as milícias chavistas.


Figura disponível em: https://ichef.bbci.co.uk/news/640/cpsprodpb/1561F/production/_96838578_colectivos2008afp.jpg

Na Venezuela existem grupos ou organizações comunitárias que são denominados por "colectivos" ou coletivos em português, e que têm a sua origem nos grupos insurgentes de viés socialista de 1960, de inspiração cubana, que lutavam contra o governo venezuelano da época por justiça social.

No período do presidente Hugo Chávez começaram a ganhar uma maior relevância, pois contribuíam no desenvolvimento e na condução de programas sociais do governo nas comunidades menos favorecidas. Destarte, Chávez durante o seu governo incentivou a formação de mais desses grupos

Esses grupos sempre apoiaram os governos chavistas e se intitulam como defensores da revolução bolivariana, com isso possuem fortes laços com o regime de Maduro, e que com o passar do tempo têm ganhado um maior protagonismo na instabilidade interna do país, notadamente no conflito político entre o governo e a oposição, como uma espécie de guardiães governamentais.

Uma parte dos colectivos se tornaram grupos armados organizados, e atuam como milícia chavista empregando métodos coercitivos contra os que se opõem ao governo. É digno de nota que por estarem ligados ao poder não sofrem repressão pelo Estado, mesmo que usem a violência armada contra cidadãos venezuelanos.

A nossa afirmação acima é corroborada pela opinião de 2021 da organização Human Rights Watch, conforme podemos ver abaixo, e que pode ser acessado em https://www.hrw.org/pt/world-report/2021/country-chapters/377387:


"Em várias ações de repressão realizadas desde 2014, forças de segurança venezuelanas e membros de colectivos atacaram manifestações. As forças de segurança atiraram em manifestantes à queima-roupa com munições antimotim, espancaram brutalmente pessoas que não ofereciam resistência e realizaram ataques violentos a edifícios residenciais [...] s autoridades utilizam os colectivos para dispersar manifestações e reprimir os manifestantes.

Durante a pandemia, esses grupos também ajudaram as autoridades a aumentar o controle social e a atacar e intimidar adversários políticos e jornalistas, às vezes para impedir a cobertura jornalística de temas relacionados à Covid-19. Os colectivos impuseram lockdown em bairros com altos níveis de pobreza, espancando e torturando aqueles que supostamente não obedecessem às restrições, relataram grupos locais."


Dessa forma, a oposição a Maduro chama esses "colectivos" como grupos paramilitares, enquanto outras organizações internacionais os classifica como grupos civis fora da lei ou organizações criminosas.

Informações nos revelam que esses grupamentos em sua totalidade contariam com cerca de 5.000 a 7.000 membros, e que têm como ambiente operacional as comunidades pobres urbanas. Tem sido observado que os colectivos formados em período mais recente são os que operam de forma mais violenta, com adoção de práticas criminosas, enquanto os mais antigos ainda mantêm o ideal socialista.

Nesse sentido, acabam controlando bairros, e as atividades econômicas dessas regiões, bem como as atividades ilícitas, como tráfico, extorsão dentre outras. Além disso, utilizam métodos de pressão para obter votos dos habitantes dos locais controlados, aumentando o seu poder político. Destarte, vemos certa semelhança com os grupos milicianos que atuam no Brasil, e que durante o seu surgimento contavam com a simpatia política de alguns governos estaduais.

Nesse cenário, os colectivos contribuem para saída dos venezuelanos que fogem do país, devido a escalada de violência e da criminalidade nos centros urbanos.

Alguns analistas têm observado um novo fenômeno que seria a união de grupos criminosos com ex-membros dos colectivos, visando explorar as atividades criminosas nas cidades. Tais grupos não prestam apoio ao governo e com isso são combatidos pelo regime de Maduro, como o Cota 905.

O Blog é de opinião de que os "colectivos"atuam como milícias chavistas pró-governo, e que a falta de institucionalidade e a permissividade estatal permitiram a criação de novas organizações criminosas poderosas, criando estados dentro do Estado, aumentando o caos venezuelano.

O nosso país deve estar atento a esse problema, visando evitar situação semelhante. Para tanto, faz-se mister que a Inteligência acompanhe com atenção o que acontece no nosso vizinho, visando evitar a migração de tais grupos para o nosso território, bem como sugerindo as nossas autoridades decisoras medidas para combater a formação de estados paralelos em nosso território. Porém, há a necessidade do engajamento do nosso poder político, pois todas as decisões passam por ele.

Afirmamos que existem dois tipos de grupos paramilitares: um que apoia o governo e que conta com o seu apoio, e outro que pretende derrubá-lo e que por ele é combatido. Entretanto, os dois grupos se tornam grupos criminosos no tempo, mergulhando o país no caos.

Qual a sua opinião?

Seguem alguns vídeos para nos auxiliar em nossas análises:

Matéria de 25/02/2019:

Matéria de 11/04/2014:

Matéria de 28/02/2018:

Matéria de 17/07/2019:

Matéria de 19/05/2019:

Matéria de 16/01/2020:






2 Σχόλια


wall.renato
wall.renato
13 Οκτ 2021

De certa forma esse processo está em curso no Brasil.

O desarmamento da população civil "permite" que apenas os ilegais as tenham e recentes atitudes de nossas cortes proíbem o (fraco) combate que era efetuado por nossas polícias.

A polarização política entre a esquerda e a direita deve piorar nos próximos anos e, se os 3 poderes não se unirem a favor do País, estamos a caminho de nos tornarmos (inicialmente) uma Argentina e, muito rapidamente, numa Venezuela

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Alexandre Tito Xavier
Alexandre Tito Xavier
13 Οκτ 2021
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Muito obrigado Comte pela sua análise.

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