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Seção Inteligência: o serviço de inteligência iraniano, e possíveis interesses iranianos no Brasil.


Apesar da pequena divulgação, bem como de termos pouco material oficial do governo do Irã sobre o seu serviço de inteligência, podemos afirmar que é muito eficiente.

Para compreendermos, de forma sucinta, a história da atividade de inteligência iraniana, a dividiremos em dois períodos:


a) antes da Revolução Iraniana: durante o governo do Shah Mohammad Reza Pahlavi, o serviço de inteligência era de responsabilidade da National Security and Intelligence Organization, conhecida mais por SAVAK (Sazman-e Ettela'at va Amniat-e Keshvar). O principal objetivo era proteger o regime do Shah contra o ativismo interno, além de possíveis investidas comunistas nas forças armadas iranianas e nas organizações estatais. Nesse período recebia apoio das agências de inteligência dos EUA e do Reino Unido, muito devido aos interesses na exploração petrolífera, bem como estarmos no contexto da Guerra Fria;


b) depois da Revolução Iraniana, em 1979: a atividade passou a ser influenciada pela KGB, da ex-União Soviética, em que essa agência tinha como um dos seus objetivos deteriorar a relação EUA-Irã. O SAVAK foi desmantelado, mas alguns agentes acabaram sendo reaproveitados em virtude das suas experiências no setor. Nesse sentido, a atividade de inteligência iraniana passou por várias reformulações e ajustes, culminando em 1983 na criação do Ministry of Intelligence and Security (MOIS), também conhecido como VEVAK (Vezarat-e Ettela'at va Amniat-e Keshvar). O MOIS é ligado diretamente ao líder supremo do Irã, e todas os ministérios devem reportar qualquer informação de inteligência a ele, inclusive a QUDS Force. Possui um grande orçamento, e seus agentes no exterior operam nas embaixadas iranianas, empresas estatais e em algumas privadas. Apoia o Hezbollah e o HAMAS. Trabalha em coordenação com a QUDS Force em atentados e em outros tipos de operação no exterior. Concentra as atividades de inteligência e de contrainteligência, e possui os seguintes objetivos:

  • Coletar, buscar, analisar e produzir conhecimento interno e externo de inteligência;

  • adestrar e apoiar organizações iranianas na proteção dos seus dados sigilosos de interesse;

  • investigar atividades conspiratórias, de espionagem, de subversão e de cooptação, com o intuito de preservar a integridade territorial e do regime iraniano;

  • proteger a atividade de inteligência e os seus integrantes.

Além disso, realiza atividades no exterior, como atentados, eliminação de dissidentes e cooptação de iranianos ou de estrangeiros para trabalhar como agentes, dentre eles destacam-se os casos da cidadã britânica Anne Singleton, agora Anne Khodabandeh (casou-se com o iraniano Masoud Khodabandeh, que também foi cooptado), e da ex-especialista em contrainteligência da Força Aérea dos EUA Monica Witt. Outrossim, é responsável pela "guerra de informação", e por operações em instituições governamentais em países de interesse, sendo famoso o caso do Iraque, em que documentos foram descobertos relatando o ocorrido.

O relatório elaborado pelo Congresso dos EUA, em 2012, fornece maiores detalhes sobre o MOIS, e está disponível no blog em: https://de9abb8c-83aa-4859-a249-87cfa41264df.usrfiles.com/ugd/de9abb_76e0f3a5ec574b348c793a6a5b6e1dd9.pdf .

Informações revelam que o serviço de inteligência iraniano apoiou os governos venezuelanos de Chávez e Maduro, onde uma das contrapartidas era o recebimento de recurso financeiro para apoiar o Hezbollah e suas atividades de inteligência. Além disso, existem outros acordos econômicos entre esses países que são muito importantes para a manutenção do programa nuclear iraniano, pois seriam um "alívio financeiro"as sanções econômicas implementadas pelos EUA.

O Irã possui interesses na América Latina, onde tenta reviver sentimentos anti-estadunidenses na região. Ademais, tem especial atenção ao Brasil nos campos político e econômico, principalmente devido a mudança de postura do governo brasileiro. É importante frisar que o governo iraniano manifestou publicamente a intenção de construir submarinos nucleares, e com isso o nosso Programa Nuclear da Marinha poderá ser alvo de interesse da inteligência iraniana.

É digno de nota o acordo nuclear polêmico assinado entre Irã, Turquia e Brasil em 2010, durante o governo Lula. Nesse governo as relações entre o Irã e o nosso país foram incrementadas. De acordo com algumas fontes, Habib Taherian, que foi um integrante do MOIS, teria sido embaixador no Brasil, e posteriormente foi indicado para a Síria em 2011.

Qual a sua opinião sobre o tema? Acha que existem agentes iranianos operando no Brasil?

Seguem alguns vídeos para analisarmos o tema (em alguns vídeos legendas podem ser inseridas):



Os 2 vídeos que abordam o início da aproximação iraniana na América Latina


Vídeo promocional do MOIS:


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