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China e a diplomacia da armadilha da dívida.


Figura disponível em: https://static01.nyt.com/images/2019/04/25/opinion/25brautigam/25brautigam-articleLarge.jpg?quality=75&auto=webp&disable=upscale

A China tem se apresentado a vários países como uma grande oportunidade de negócios para aprimorar as suas infraestruturas, destacando-se os setores de energia, transportes e telecomunicações. Um dos exemplos marcantes é o projeto Belt and Road Iniciative, ou mais popularmente conhecido como a Nova Rota da Seda, onde o governo chinês alega que foi idealizado para ser uma rede de comércio e infraestrutura global, conectando o mercado da China com o mundo, e dessa forma fazendo com que todos prosperem economicamente juntos.

Porém, nem "tudo são flores". Os empréstimos por vezes elevados, e as cláusulas contratuais têm estipulado, em certos casos, que se o país devedor não consiguir honrar o débito, a China terá o direito de explorar o investimento realizado ou receber commodities que lhe interessa, como o caso venezuelano que paga com petróleo. Em certas situações, isso tem ferido a soberania de alguns países, como os casos do Sri Lanka e do Djibouti.

Ademais, essas parcerias têm diminuído o protagonismo estadunidense no cenário internacional, o que vem incomodando os EUA. Sendo um dos objetivos da China expandir a sua influência no mundo. Atualmente o empreendimento está em quase todos os continentes, inclusive com planos para a América do Sul.

Nesse sentido, esse modus operandi chinês, ou soft power, tem sido conhecido como a "diplomacia da armadilha da dívida" (debt trap diplomacy). A China nega veemente que utilize esse tipo de artimanha.

A figura abaixo nos faz refletir sobre o assunto:

Figura disponível em: https://www.economist.com/sites/default/files/images/print-edition/20190427_CNC774.png

Nesse sentido, vários governos têm questionado as intenções chinesas, e a desconfiança com a Nova Rota da Seda vem aumentando. Alguns analistas alegam que certos investimentos poderiam ser utilizados pelas forças armadas chinesas, como o evento do porto em Djibouti, auxiliando a marinha da China a ter uma presença global.

Com o advento da pandemia, vários governos estão tendo enormes dificuldades para pagar os seus débitos com a China, o que vem resultando em pedidos de adiamento ou perdão da dívida. É certo que não haverá perdão, e os débitos deverão ser renegociados caso a caso.

Nesse cenário, o governo chinês vem enfrentando um dilema, pois se cobrar as dívidas ou se exercer o seu direito contratual, em meio a pandemia e as acusações feitas pelos EUA com o intuito de macular a sua imagem no cenário internacional, poderá piorar a percepção mundial sobre o regime de Pequim. Por outro lado, realizou empréstimos vultosos num momento de guerra comercial com os EUA e de recessão econômica mundial, com isso esses recursos poderão fazer falta à sua economia em recuperação.

O Blog acredita que o governo chinês emprega o seu soft power por meio da Nova Rota da Seda, com o intuito de buscar mercados para o seu crescimento econômico, bem como aumentar a sua influência econômica e militar no mundo, em contra ponto aos EUA. Convém lembrar ao leitor que estamos na era da competição entre as grandes potências e no meio de uma "Guerra Fria"sino-estadunidense. Nesse diapasão, o nosso país deve avaliar muito bem as oportunidades de negócios de infraestrutura com a China, sem se deixar seduzir pelo investimento fácil, pois uma oportunidade poderá se transformar numa ameaça a soberania do país.

Qual a sua opinião?

Seguem alguns vídeos para analisarmos o tema:

Os dois vídeos a seguir mostram a visão chinesa sobre o debt trap:


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