top of page

A invasão da Ucrânia: o que pode sinalizar para o mundo?


Figura disponível em: https://ichef.bbci.co.uk/news/1024/cpsprodpb/C378/production/_123404005_ukraine_russian_strikes_map_v2_24feb_640_v3-nc.png

Hoje teve início a invasão do território ucraniano pelas forças russas, tendo acontecido ataques em todos os ambientes operacionais: mar, terra, ar e cibernético.

Ao olharmos o mapa, bem como se relembrarmos os movimentos russos de pré-posicionamento das suas tropas dos últimos dias, podemos compreender a preparação militar que estava sendo realizada, com a intenção de envolver a Ucrânia por várias frentes.

Além disso, os russos, como operam com maestria na GRAY ZONE e são considerados os melhores quando se pensa em Guerra Híbrida, conseguiram deixar todos os governos ocidentais confusos sobre a real possibilidade de invadir a Ucrânia. Os russos empregaram a Guerra de Informações de forma agressiva, trabalhando bastante a desinformação.

O discurso utilizado por Putin justificando a invasão à Ucrânia encontra similaridade com a estadunidense por ocasião da invasão ao Iraque, em 2003, no momento que alega que o invadido representa uma ameaça a segurança do invasor. Além desses exemplos, existem outros como Afeganistão, etc.

Porém, a agressão russa possui uma repercussão maior, pois a Ucrânia é um Estado europeu que tenta seguir os valores ocidentais, como a democracia, diferentemente do Iraque de Saddam Hussein, ainda mais quando contesta a supremacia ocidental.

As ameaças de severas sanções econômicas por parte do mundo ocidental, representado pelos EUA e seus aliados europeus, poderão, dependendo do grau de impacto na economia de Moscou, levar a um acirramento da atual tensão com a Rússia, pois Putin é capaz de fechar todo o fornecimento de gás para a Europa Ocidental causando um caos na Europa. Ademais, o conflito poderá afetar a economia e o fornecimento de combustíveis mundiais, ocasionando o aumento do preço do gás e da inflação.

Isso deve-se ao fato de estarmos numa transição energética, fazendo com que o gás seja a fonte de energia da transição, conforme analisamos no nosso artigo "Geopolítica Energética e a Emergência Climática: crises, tensões, conflitos e perspectivas", disponível em https://www.atitoxavier.com/post/geopolítica-energética-e-a-emergência-climática-crises-tensões-conflitos-e-perspectivas. Dessa forma, vemos que a Rússia usará a Geopolítica Energética a seu favor, pois a curto e médio prazos é muito difícil substituir o gás russo por outro.

É esperado, também, como consequência do conflito que haja mais um problema migratório e humanitário em direção à Europa ocidental.

Entretanto, a invasão de hoje faz parte de uma construção de Putin, planejamento de muito tempo, de retomar a grandiosidade russa de esfera de poder, e que o Blog vem acompanhando atentamente.

Mostraremos de forma cronológica por meio dos nossos artigos abaixo, e que podem ser lidos integralmente na nossa Seção Rússia, disponíveis em https://www.atitoxavier.com/my-blog/categories/r%C3%BAssia, que o líder russo vinha preparando o seu país para um momento como esse, por meio do fortalecimento militar, melhor posicionamento geográfico de suas forças, aumento das suas reservas internacionais para enfrentar graves crises econômicas, parcerias estratégicas que permitam passar por sanções econômicas, aumento da dependência dos europeus das fontes de energia russas, testando ao longo dos anos a reação da OTAN, e em especial dos EUA, bem como foram aperfeiçoando a guerra cibernética:


- "O renascimento russo e a ameaça à Europa", de 03 de abril de 2020, onde afirmamos que desde que Vladimir Putin assumiu o poder a Rússia vem aumentando a sua influência mundial com altos investimentos no setor de defesa. Além disso, passou a desafiar a OTAN e os EUA reafirmando a sua intenção de voltar a ser protagonista no cenário internacional. Alguns exemplos da preocupação que suscitou foi a reativação da Segunda Frota pela US Navy e da realização do maior exercício militar da OTAN desde a Guerra Fria, o Trident Juncture ambos em 2018. O governo russo de tempos em tempos viola o espaço aéreo de países europeus, bem como algumas aeronaves militares russas voam próximas a costa do Alasca (já houve interceptação por caças da US Air Force). Porém, o que demonstrou a ascensão russa foram a anexação da Criméia, influência política na Ucrânia, manutenção de Bashar Al Assad no poder da Síria, influência nas eleições norte-americanas e o "troco"geopolítico nos EUA ao ser o protetor venezuelano juntamente com China e Irã . Além disso, a Rússia é o mestre da Guerra Híbrida, que é uma nova forma de guerra em que tanto a Europa quanto os EUA estão "engatinhando". Atualmente está aumentando a dependência européia em relação ao seu gás e petróleo;


- "A importância da Síria para a Rússia", de 12 de maio de 2020, em que dissemos que com a ascensão de Vladimir Putin, a Rússia começou a traçar políticas, visando reconquistar a influência perdida, com o intuito de voltar a ser um ator importante geopolítico. A maior perda geopolítica para a Rússia seria a queda do regime de Bashar al Assad, pois a Síria possui um acordo estratégico com Moscou sobre a utilização pela marinha russa da Base Naval de Tartus. Essa Base é muito importante geopoliticamente para a Rússia, pois permite que esse país possua meios navais no Mar Mediterrâneo sem a necessidade de retornar para o país. Convém destacar que geograficamente a Rússia possui uma limitação muito séria para acessar o Mediterrâneo, pois precisa vir pelo norte da Europa entrando pelo Estreito de Gibraltar (longo caminho) ou passar pelo Mar Negro (menor caminho), ficando na dependência da Turquia. Os meios navais russos em Tartus não rivalizam com os da OTAN, mas permitem a presença constante russa na região, o que possibilita Putin exercer certa influência geopolítica no Mediterrâneo, principalmente no Oriente Médio e nos países do norte da África. Neste sentido, a Rússia apoiou a manutenção do governo Assad no poder durante a guerra civil síria para manter os seus interesses na região. O sucesso desse apoio deu a Putin um grande protagonismo na região do Oriente Médio, bem como possibilitou a assinatura de acordos com a Síria para a reconstrução dos setores de óleo e gás, bem como conseguiu a implementação de uma Base Aérea Russa (Base Aérea de Khmeimim) em Latakia que aumentará a sua influência militar. Com o intuito de consolidar a sua presença militar na área, Moscou vem reforçando o seu poderio naval no Mediterrâneo, com novos meios sendo enviados à Base de Tartus, além de ter planos de ampliar as instalações dessa base, já que tem intenção de a transformar em uma base russa permanente;


- "A nova "jogada"geopolítica russa contra os EUA", de 04 de julho de 2020, em que afirmamos que no contexto da competição entre as Grandes Potências, a inteligência dos EUA afirmou que o governo russo ofereceu recompensas à grupos talibãs pela morte ou captura de soldados britânicos e estadunidenses. Tal notícia caiu como uma "bomba" no governo de Trump, sendo um grande teste de como reagirá a essa séria acusação. Algumas fontes indicaram que o presidente estadunidense tinha tomado conhecimento da informação, mas não quis adotar nenhuma resposta. Várias investigações encontraram evidências de transferências de dinheiro para os Talibãs, tendo como origem à inteligência russa Glavnoye Razvedyvatel'noye Upravleniye (GRU ) ou Direção Central do Estado-Maior das Forças Armadas da Rússia que é a principal agência de inteligência das forças armadas da Rússia, e que acredita-se que foi crucial na anexação da Crimeia. Além disso, o governo russo é acusado de vender armas para os Talibãs;


- "Poder Naval: Força de Submarinos Russa - maior ameaça submarina da atualidade", de 08 de fevereiro de 2021, dissemos que após o fim da União Soviética o mundo viu a decadência do poderio militar russo, mas com a ascensão de Vladimir Putin ao poder a Rússia tenta reviver o prestígio militar do passado, e com isso a sua Força de Submarinos recebeu vários investimentos cujos resultados podem ser verificados pelos projetos de desenvolvimento de novas classes de submarinos e de armamentos mais letais, em que pese a redução do número de submarinos da era soviética para a atual;


- Qual será a próxima "jogada"geopolítica de Putin?", de 20 de março de 2021, em que falamos que tanto os governos de Washington, quanto dos países da União Europeia têm realizado sanções contra a Rússia. Tal movimento mostra-se ser realizado de forma coordenada, visando tentar sufocar a economia russa com o intuito de forçar Putin a negociar pontos importantes para os países aliados, como a libertação do opositor do governo de Putin, Alexei Navalny, e a diminuição da ameaça a OTAN. Nesse sentido, os EUA estão com uma postura mais assertiva em relação aos russos, onde Biden chegou a chamar Putin de assassino, e que ele pagará por sua interferência nas eleições presidenciais de 2020, o que teve como resultado o retorno do Embaixador russo ao seu país, trazendo a relação entre os países a um nível de maior confrontação. Que Putin tentará alguma manobra geopolítica para consolidar a sua posição no poder, que está desgastada internamente, ainda mais no atual cenário em que os EUA retomam a política de parcerias e alianças, em que atuará de forma coordenada com a OTAN. Acreditamos que Moscou aumentará a sensação de ameaça aos países ocidentais, mas sem cruzar a "linha vermelha"que poderia resultar em conflito, visando atingir os seus objetivos geopolíticos na Europa, onde um deles seria o término das sanções econômicas em troca da diminuição do grau de ameaça a OTAN e aos EUA. Dessa forma, tentará a negociação ganha - ganha;


- "Ucrânia e a manobra geopolítica russa", de 09 de abril de 2021, onde dissemos que a tensão entre a Rússia e a Ucrânia referente a região de Donbass, em que separatistas pró-Russia, que controlam a região, tentam a independência desse território com apoio de Moscou, desde 2014, escalou nos últimos dias com o posicionamento de mais de 25.000 soldados russos, blindados e artilharia pesada nas proximidades da fronteira entre os dois países e com o aumento da presença militar russa na Crimeia. Em que pese as autoridades russas alegarem que a movimentação de suas tropas e os exercícios militares estejam sendo realizados no interior do seu território, e que o posicionamento militar nas proximidades da fronteira com a Ucrânia seria uma atitude de autodefesa devido as atitudes provocativas ucranianas, o que é veemente negado por Kiev. Dessa forma, a Ucrânia, a OTAN e as tropas dos EUA na Europa elevaram o nível da ameaça russa, e o grau de prontidão de suas forças. Convém mencionar que a atitude russa é vista com grande desconfiança, pois tais alegações foram utilizadas no passado recente nas invasões da Georgia (2008) e da Crimeia (2014), onde os motivos eram idênticos (apoio aos movimentos separatistas pró-Rússia), ou seja, ninguém considera confiáveis as informações russas e as suas intenções. Caso a Ucrânia seja aceita na OTAN haverá uma grande incerteza geopolítica e um conflito torna-se mais provável, em que a Rússia poderá invadir a região de Donbass alegando a proteção dos simpatizantes russos contra uma alegada perseguição ucraniana, como fez na Crimeia;


- "Rússia: a principal ameaça a paz e a segurança internacional no atual cenário mundial.", de 17 de junho de 2021, afirmamos que o mundo vem vivenciando uma era de competição entre as grandes potências, notadamente os EUA, a China e a Rússia, o que tem ocasionado a vivermos num mundo mais imprevisível e menos seguro, conforme o Blog vem afirmando em vários de seus artigos. Além disso, falamos que a Rússia, atualmente, é considerada a maior ameaça a paz e a segurança internacional, em virtude de sua agressividade e imprevisibilidade geopolítica no cenário mundial. Outrossim, também afirmamos que os russos estão tentando ampliar a sua influência no mundo, notadamente na África e na América do Sul. Dessa forma, devemos acompanhar com atenção os movimentos russos no nosso Entorno Estratégico, pois poderemos ser impactados na problemática estadunidense-europeia-russa;


- "Poder Naval Russo: em busca de maior protagonismo", de 26 de julho de 2021, em comentamos que convém mencionar que durante a Guerra Fria a ex-União soviética possuía a segunda marinha de guerra do mundo, só ficando atrás dos EUA. A Rússia herdou uma força naval sucateada, e nos dias atuais foi ultrapassada pela China. Porém, desde que Vladimir Putin assumiu o poder, ele vem reconstruindo a marinha russa, onde priorizou a Força de Submarinos e os navios menores como Fragatas e Corvetas, tendo como premissas: a defesa do território russo, a preservação da sua esfera de influência e uma força dissuasória crível, notadamente as forças navais do Mar Negro, Mar Báltico, Mar Cáspio e Ártico. Para tanto, os novos meios navais possuem uma grande capacidade de destruição. O governo russo, aos poucos, vem tentando desenvolver uma marinha de águas azuis, visando atingir dois objetivos: rivalizar com os EUA e aumentar a sua esfera de influência geopolítica para além do perímetro vital de defesa. Dessa forma, vemos a marinha russa ganhando musculatura no Mediterrâneo, e com uma firme intenção de possuir uma base no Sudão;


- "A relação conturbada entre a Rússia e a OTAN - dilema para os EUA?", de 25 de outubro de 2021, onde falamos que Putin conseguiu colocar a Rússia como um protagonista geopolítico, e revitalizou a capacidade militar do país que estava em decadência. Desde que assumiu a liderança do Estado russo, tem como nítida preocupação evitar a contenção que estava sendo feita pelos ocidentais, e para tanto adotou uma postura assertiva e agressiva, inclusive com intervenções e ameaças de intervenção em territórios de países do seu entorno, como foi com a Georgia e com a Ucrânia, bem como aumentando a sensação de insegurança dos Estados bálticos (Letônia, Estônia e Lituânia), e de outros países da Europa Oriental, como a Polônia. Ademais, Putin tenta criar Estados "tampão" ou bufferzone contra a OTAN, visando incrementar a segurança russa. Além do mais, usa a ameaça do uso da força, caso algum desses Estado "tampão"entre para a OTAN. Nesse sentido, o Blog acredita que haverá um aumento da sensação de insegurança na Europa, e ratificará a Rússia como a principal ameaça militar da região, bem como a paz e a segurança mundial;


- "China e Rússia: cada vez mais parceiros contra os adversários comuns", de 16 de dezembro de 2021, dissemos que ao longos dos últimos anos, principalmente a partir de 2014, observa-se uma maior aproximação entre os chineses e os russos, seja no tocante a realização de exercícios militares bilaterais, a exemplo dos recentes exercícios navais nas proximidades das águas jurisdicionais japonesas, ou combinados com outros países, como o Irã, seja na parte econômica com o comércio crescendo a cada ano, que chegou a cerca de 113 bilhões de dólares. Existe a perspectiva do comércio entre eles chegar a 200 bilhões de dólares em futuro próximo, o que será um grande alívio para os russos, sendo que a China é o seu principal parceiro econômico. É interessante pontuar que, além do citado acima, estamos vivendo numa era de competição entre as Grandes Potências, como os EUA, China e a Rússia, em que temos presenciado a expulsão de diplomatas russos dos EUA e de seus aliados, sob várias alegações, como espionagem e assassinato de dissidentes russos, tendo a mesma resposta, e o fechamento de representação da OTAN na Rússia, bem como a expulsão de alguns diplomatas chineses dos EUA, acusados de espionagem, com a consequente contrapartida. Os dois países têm se complementado, pois possuem necessidades estratégicas que podem ser atendidas pelo outro, em que a Rússia é o principal fornecedor de armamentos e o segundo exportador de derivados de petróleo para a China, e no futuro os russos serão cada vez mais fundamentais no fornecimento de gás para os chineses, por meio do gasoduto Power of Siberia (entrou em operação em 2019) entre eles. O mercado chinês de gás para os russos poderá transformar o mercado europeu em secundário, e com isso a Europa ocidental poderá ficar em maus lençóis, caso a Rússia diminua o fornecimento em detrimento dos chineses. Existe a intenção de construção de um novo gasoduto Power of Siberia 2 entre a Rússia e a China. a consolidação da aliança sino-russa moldará a Nova Ordem Mundial que está em formação;

- "Análise das mensagens de Ano Novo dos três principais líderes mundiais", de 03 de janeiro de 2022, dissemos que Putin enfatizou que defendeu, em 2021, de forma resoluta os interesses e a segurança nacionais, apelou para o nacionalismo russo, bem como falou do esforço para manter viva a economia, e que o país tem conseguido atingir os objetivos estratégicos de desenvolvimento. Também frisou que para a Rússia ser grande é importante a implementação dos planos nacionais. Dessa forma, Putin passa para o exterior a imagem de uma Rússia forte e que não se intimidará perante os desafios para assegurar os interesses e segurança nacionais. Convém mencionar que 2021 foi pontuado por crises militares entre a Rússia e os EUA e seus aliados europeus, como as problemáticas da Ucrânia e do Mar Negro, além de outras, em que Putin fez demonstrações de força alegando a preservação da segurança do seu entorno estratégico. Além disso, as mensagens de Putin e de Xi Jinping possuem similaridades e enviam "recados" para os seus adversários, em que não se intimidarão perante as iniciativas de tentar conter as suas aspirações geopolíticas;


- "Crise da Ucrânia: laboratório para a problemática de Taiwan", de 20 de janeiro de 2022, onde afirmamos que tanto Putin, quanto Xi Jinping testariam o comprometimento político - militar dos EUA e dos seus aliados europeus na defesa da Ucrânia e de Taiwan num possível cenário de invasão por parte da Rússia e da China, ainda mais na época que estamos vivendo, que está sendo marcada pela competição entre as grandes potências: China, EUA e Rússia. Essa situação tem aproximado, cada vez mais, a Rússia e a China, devido as sanções econômicas que vêm sofrendo e que são lideradas pelos EUA, bem como pelas alianças militares que estão sendo criadas visando efetuar a contenção geopolítica de ambos. Nesse sentido, em janeiro deste ano, Putin fez uma "jogada"geopolítica assertiva e perigosa ao posicionar um grande contingente de suas forças na fronteira com a Ucrânia, visando atingir os seus objetivos estratégicos, dentre eles evitar com que Kiev faça parte da OTAN, alarmando a Europa e os EUA no tocante a uma possível invasão russa ao território ucraniano. Além disso, iniciou exercícios militares com a Bielorússia, cujo o ditador é aliado de Putin. Com as ameaças estadunidenses e europeias em realizar uma grande retaliação à Rússia, bem como por não aceitarem as condições impostas por Moscou, Putin asseverou que, a depender do nível das sanções, poderia considerar o ato como uma declaração de guerra. Ademais, informou que poderá colocar tropas russas na Venezuela e em Cuba, colocando pressão nos EUA, o que nos remete ao período da Guerra Fria. A OTAN, principalmente os EUA, têm disponibilizado material militar aos ucranianos, bem como tem enviado militares para adestrar as tropas do governo de Kiev, com o intuito de auxiliar a resistência ucraniana no caso de uma possível agressão russa. É digno de nota que a parceria estratégica da Rússia com a China mitiga o problema econômico russo em caso de sanções econômicas severas por parte do ocidente. Além disso, o conflito não é interessante para a Europa, pois é muito dependente do gás russo, e cujo corte no fornecimento terá um grande impacto nas populações europeias, notadamente no inverno. Assim, os EUA estão numa encruzilhada, pois caso Putin consiga atingir os seus objetivos na Ucrânia, sinalizará que os estadunidenses não possuem um forte comprometimento político-militar em apoiar os seus aliados, engajando-se nas crises com as suas tropas, o que poderá abrir caminho para que a China faça o mesmo em relação a Taiwan, ainda mais porque poderá haver duas frentes de conflito. Em nossa visão, o ano de 2022 apresenta uma tempestade geopolítica perfeita, e que o desfecho da crise na Ucrânia poderá mudar a ordem mundial;


- "A Aliança Estratégica Sino- Russa e a Nova Ordem Mundial", de 06 de fevereiro de 2022, afirmamos que o mundo está sem uma força que promova a estabilidade, ou seja, sem uma liderança geopolítica mundial. Assim, isso é um dos motivos que justificam a escalada armamentista do Século XXI e que tem permitido o surgimento de várias tensões no cenário internacional. No dia 04 de fevereiro, os líderes da China e da Rússia realizaram um pronunciamento conjunto por meio do documento "Joint Statement of the Russian Federation and the People’s Republic of China on the International Relations Entering a New Era and the Global Sustainable Development". Ao lermos atentamente o comunicado, e principalmente os trechos que destacamos para o leitor, veremos que trata-se de uma mensagem ao mundo ocidental, representado pelos EUA e seus aliados europeus, devemos incluir também a Austrália e o Japão, bem como reafirma os objetivos geopolíticos da China e da Rússia. Dessa forma, observa-se que: não será aceitada a interferência ocidental nas áreas de influência sino-russa, em que é exemplificada pela questão de Taiwan e pelo expansionismo da OTAN na Europa, sendo uma das causas da problemática ucraniana. Ademais, consideram o ocidente como fator de desestabilização geopolítica mundial; e reforça a ideia que as intenções e manobras geopolíticas ocidentais fazem parte da estratégia para manter a sua preponderância no mundo, e que com isso não serão mais toleradas. Nesse sentido, a China e a Rússia demonstram a intenção de serem a nova liderança mundial.

Dessa forma, a invasão de hoje da Ucrânia pela Rússia poderá inaugurar, em nossa opinião, uma Nova Ordem Mundial, em que enterrará a hegemonia estadunidense, e porá fim na intenção ocidental de ditar o destino do mundo impondo os seus valores, podendo mudar o foco de poder para a Eurásia, tendo a Rússia e a China como pólos de poder. Ademais, o futuro cenário internacional consolidará a teoria realista das relações internacionais, e que os Centros de Poder controlarão as suas esferas de influência, dividindo novamente o mundo.

Entretanto, para que isso realmente aconteça faz-se mister observar como a China, que atualmente está como observadora da crise ucraniana, agirá para atingir um dos seus objetivos de ter uma só China até 2049, bem como se o mundo ocidental aceitará passivamente essa Nova Ordem.

Nesse diapasão, a invasão de hoje reveste-se no maior teste para a OTAN e principalmente para os EUA, pois a resposta desses atores poderá encorajar a China nas suas aspirações.

Destarte, o Blog ratifica a sua conclusão de 20 de janeiro de 2022, quando afirmou que o ano de 2022 se apresenta como uma tempestade geopolítica perfeita, e que o desfecho da crise na Ucrânia poderá mudar a ordem mundial.

Assim, a triste invasão de hoje poderá entrar para a história como o início do caos do mundo, restando saber quando, e se, entraremos num período de paz e estabilidade mundiais.

Outrossim, o episódio de hoje reforça a nossa análise de que estamos vivendo num mundo mais imprevisível e menos seguro, bem como não há, no momento, uma força que seja capaz de estabilizar o sistema internacional. Dessa forma, o futuro torna-se incerto.

Como o nosso país não é uma ilha, o conflito poderá impactar no nosso país, tanto no campo econômico quanto no político externo.

Nesse sentido, o uso dos Jogos de Guerra se mostra mais importante do que nunca no atual momento em que estamos passando.

Resta-nos acompanhar o desenrolar dos acontecimentos e torcer para um desfecho positivo para o mundo. Qual a sua opinião?

Matéria de 24/02/2022:

Matéria de 24/02/2022:

Matéria de 24/02/2022:

Matéria de 24/02/2022:

Matéria de 24/02/2022:

Matéria de 24/02/2022:

Matéria de 24/02/2022:

Matéria de 24/02/2022:

Matéria de 09/02/2022:



Commentaires


bottom of page