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Senegal e o Ocidente: nova lua de mel ou divórcio inevitável?


Figura disponível em https://s.france24.com/media/display/935ebf02-f20a-11ee-b10c-005056a90284/w:980/p:16x9/2024-04-03T210651Z_531814048_RC2CY6AMP029_RTRMADP_3_SENEGAL-POLITICS-AUDIT.JPG

No nosso artigo "Crise no Senegal: instabilidade na África Ocidental", de 11 de fevereiro de 2024, disponível em https://www.atitoxavier.com/post/crise-no-senegal-instabilidade-na-áfrica-ocidental, apresentamos a nossa apreensão em relação a crise interna no Senegal, que estava mergulhando o país num caos, em virtude de um possível adiamento da eleição presidencial.

Felizmente, ocorreu a eleição e saiu-se vencedor o candidato de oposição Bassirou Diomaye Faye, que estava preso, se tornando o mais novo presidente africano eleito democraticamente, ratificando, assim, o descontentamento da população senegalesa com a política anterior, que era considerada como de "submissão ao Ocidente", fenômeno este verificado nos países do Sahel - Mali, Niger e Burkina Fasso.


Figura disponível em https://d2z7bzwflv7old.cloudfront.net/cdn_image/exW_1200/images/maps/en/sg/sg-area.gif

A posse presidencial ocorreu no dia 02 de abril, em que o atual líder senegalês prometeu um governo que combateria a corrupção no país, protegeria a soberania senegalesa, revisaria o uso do Franco CFA como moeda, renegociaria os contratos de exploração dos novos campos de petróleo e gás junto as empresas estrangeiras, e concitou que Niger, Burkina Faso, e o Mali retornassem para a Comunidade Econômica dos Países da África Ocidental.

Logo, percebe-se que foi prometido em seu discurso inaugural um novo país, que vá ao encontro das aspirações da população.

Além disso, foi escolhido para o cargo de Primeiro Ministro Ousmane Sonko, outro líder importante de oposição e que também estava preso, possuidor de um grande apoio da juventude senegalesa, que clama por mudanças no país.

Nesse sentido, percebe-se que o atual governo tem um viés diferente do seu antecessor que era alinhado ao Ocidente (EUA e os seus aliados europeus, notadamente a França). Entretanto, alguns analistas de geopolítica viram no discurso de Faye uma oportunidade para que os países do Ocidente possam colaborar com o Senegal no tocante ao combate a corrupção, por meio de uma maior transparência governamental, bem como no apoio a integração africana.

Outrossim, analistas de economia afirmam que Faye tem adotado uma política econômica diferente do discurso de posse, sendo mais prudente e menos transformador, sinalizando que o Senegal continuaria sendo um país seguro para os investidores, ainda mais quando o atual governo decidiu continuar a cumprir com o programa econômico para o período de 2023 - 2026, acordado no governo anterior com o Fundo Monetário Internacional - FMI.

Portanto, em nossa visão, em virtude das atuais lideranças senegalesas não terem uma experiência política, o atual governo está atuando perante um grande desafio: "como cumprir as promessas de mudanças feitas à sua população, principalmente aos jovens que os elegeram querendo transformações, sem perder os recursos dos investidores estrangeiros do Ocidente?"

Assim, para que o atual governo continue tendo a aprovação popular será necessário que apresente algumas decisões que demonstrem o seu compromisso de romper com o status quo, ou seja, os interesses do Ocidente no Senegal, o que seria bem-visto junto à população, trazendo maior estabilidade política ao campo interno e mantendo a sustentação do governo.

O Blog é de opinião que o atual momento político vivido no Senegal apresenta ao Brasil uma boa oportunidade geopolítica para se aproximar, ainda mais, desse país, pois poderíamos ser uma alternativa para o governo de Dacar em seu intuito de se distanciar do Ocidente, e quiçá da China, conforme o discurso do Presidente Faye. Convém relembrar, que o Senegal está no Entorno Estratégico Brasileiro.

Além disso, mantemos a nossa análise de que estamos presenciando a continuação da disputa geopolítica entre a França e a Rússia na África, como mencionamos no artigo "Crise no Senegal: instabilidade na África Ocidental", citado no início desta matéria e que recomendamos a leitura.

Assim sendo, as atitudes do atual governo senegalês, neste ano, serão decisivas para manter a estabilidade no país.

Qual a sua opinião?

Seguem alguns vídeos para nossa análise:

Matéria de 13/04/2024:

Matéria de 02/04/2024: vídeo antes de assumir o poder no Senegal

Matéria de 02/04/2024:


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