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Rússia: a principal ameaça a paz e a segurança internacional no atual cenário mundial.


Figura disponível em: https://thumbor.forbes.com/thumbor/960x0/https%3A%2F%2Fspecials-images.forbesimg.com%2Fdam%2Fimageserve%2F1087148910%2F960x0.jpg%3Ffit%3Dscale

O mundo vem vivenciando uma era de competição entre as grandes potências, notadamente os EUA, a China e a Rússia, o que tem ocasionado a vivermos num mundo mais imprevisível e menos seguro, conforme o Blog vem afirmando em vários de seus artigos.

Nesse cenário, após várias análises, podemos afirmar que a Rússia, atualmente, é considerada a maior ameaça a paz e a segurança internacional, em virtude de sua agressividade e imprevisibilidade geopolítica no cenário mundial. Algumas de nossas análises podem ser acessadas nos artigos constantes na Seção Rússia, disponível em https://www.atitoxavier.com/my-blog/categories/r%C3%BAssia.

Para tanto, destacamos os principais pontos de nossas análises:

  • Desde que Vladimir Putin assumiu o poder a Rússia vem aumentando a sua influência mundial com altos investimentos no setor de defesa. Além disso, passou a desafiar a OTAN e os EUA reafirmando a sua intenção de voltar a ser protagonista no cenário internacional. Alguns exemplos da preocupação que suscitou foi a reativação da Segunda Frota pela US Navy e da realização do maior exercício militar da OTAN desde a Guerra Fria, o Trident Juncture ambos em 2018;

  • A ascensão russa pode ser demonstrada pela anexação da Criméia, pela influência geopolítica na Ucrânia, onde apesar dos insistentes pedidos desse país para ser aceito na OTAN, isso não foi implementado até o momento, devido ao receio dessa organização de uma possível retaliação russa. Além disso, manteve Bashar Al Assad no poder da Síria, tentou influenciar nas eleições estadunidenses e deu um "troco" geopolítico nos EUA ao ser o protetor venezuelano, juntamente com a China e o Irã. Ademais, a Rússia é o mestre da Guerra Híbrida, que é uma nova forma de guerra em que tanto a Europa quanto os EUA estão" engatinhando". Além de atuar com desenvoltura na Gray Zone;

  • Moscou vem reforçando o seu poderio naval no Mediterrâneo, com novos meios sendo enviados a Base de Tartus, na Síria, além de ter planos de ampliar as instalações dessa base, já que tem a intenção de a transformar em uma base russa permanente. A presença militar russa, além de garantir o seu grande aliado sírio no poder, impacta política e psicologicamente nos países da região. O outro objetivo da participação russa na Síria foi demonstrar aos EUA, a Israel e aos países europeus que a Rússia é um ator importante no Oriente Médio, bem como efetuar um movimento geopolítico, visando enfraquecer o protagonismo dos EUA no cenário mundial. Outrossim, está implementando uma base no Sudão que permitirá a presença constante de meios navais russos no Mar Vermelho, e com possibilidade de apoio logístico em operações no Oceano Índico, no norte da África, e Golfos de Omã e Pérsico. Além disso, serve como alternativa logística para os seus navios operando no Mediterrâneo, contribuindo, assim, para uma presença global russa, aumentando a sensação de ameaça aos interesses dos países da OTAN;

  • A inteligência dos EUA afirmou que o governo russo ofereceu recompensas à grupos talibãs pela morte ou captura de soldados britânicos e estadunidenses no Afeganistão;

  • O governo de Vladimir Putin tem sido acusado internacionalmente de realizar a eliminação, em sua maioria por envenenamento, de seus opositores e dissidentes, dentro e fora do país, por meio do seu serviço de inteligência, notadamente o FSB. Dessa forma, tem empregado as suas agências de inteligência em praticamente todo o globo com muita agressividade, seja eliminando dissidentes, seja realizando ataques cibernéticos com o intuito de atingir alguns de seus objetivos estratégicos ou para desestabilizar governos criando o caos. Nesse sentido, ressaltamos o GRU, que em nossa análise, é a agência mais assertiva, onde emprega os Spetsnaz, os grupos mercenários como o Wagner Group (por exemplo na Síria e na Líbia), e outros proxies;

  • Nos últimos anos tem sido detectada a presença de navios e de submarinos russos nas proximidades dos cabos submarinos no atlântico, o que tem alertado aos países ocidentais sobre uma possível interferência, destruição ou tentativa de monitoramento das comunicações que escoam por essa infraestrutura crítica;

  • A Força de Submarinos Russa é vista com bastante preocupação pelos EUA e pelos países europeus, principalmente da região norte da Europa, sendo considerada como uma ameaça latente, devido a sua capacidade de destruição, que foi potencializada pelo desenvolvimento de novos armamentos, modernização dos seus mísseis de cruzeiro e dos seus sistemas de combate, bem como pelo incremento do nível de adestramento. As tarefas dos submarinos russos podem ser sintetizadas no tripé: destruição dos porta-aviões dos EUA - dissuasão estratégica - guerra submarina. Isso fez com que a guerra antissubmarina voltasse a ganhar destaque no cenário internacional;

  • Atenta a importância geopolítica do Ártico, a Rússia vem aumentando a militarização da região com a instalação de várias bases militares, tem aumentado a presença naval com submarinos balísticos com capacidade de lançar mísseis com ogivas nucleares e com outros meios navais. Por enquanto, a Rússia é o maior poder militar na área, além de possuir a melhor infraestrutura para operar e explorar a região;

  • A Rússia vem realizando o desenvolvimento de armas hipersônicas que podem ser lançadas do espaço, navegam por si só, e que ao reentrarem na atmosfera terrestre conseguem evitar radares e defesas antimísseis. Além disso, analistas relatam que o país possui satélites que têm capacidade de destruir outros por abalroamento;

  • O governo russo utiliza a necessidade europeia por gás russo para manter uma pressão geopolítica na Europa ocidental, por meio de um eventual corte de fornecimento, o que funciona como uma ameaça latente;

  • O pavor demonstrado pelos países bálticos (Estônia, Letônia e Lituânia) de serem invadidos e anexados pela Rússia;

  • Em vários documentos estratégicos, como o NATO 2030 e o Interim National Security Strategic Guidance dos EUA consideram a Rússia como uma ameaça;

Nesse sentido, podemos ver a agressividade russa, que fica mais patente mais quando, esporadicamente, tenta violar o espaço aéreo dos países europeus, bem como testa a prontidão da vigilância do espaço aéreo estadunidense na região do Alaska, além da realização do recente exercício militar de grandes proporções na região fronteiriça com a Ucrânia, o que deixou a comunidade internacional preocupada com uma possível invasão a esse país. Convém relembrar a anexação da Crimeia e o conflito com a Georgia sobre a Ossétia do Sul.

O governo russo nega as acusações de suas atitudes hostis, o que é esperado, mas continua a atuar na Gray Zone. Dessa forma, vai testando o limite dos países considerados oponentes ou de interesse.

O leitor pode se perguntar, e a China? Esse país apesar de, também, estar adotando uma política assertiva, em nossa análise, é mais previsível e menos ousado que o russo. Além disso, a OTAN a considera como um desafio e não uma ameaça imediata, diferente da Rússia, e os EUA a encara como o principal adversário na disputa pela hegemonia mundial, encarando-a como uma ameaça de longo prazo.

Convém mencionar, que na nossa visão, a China não deseja o conflito de alta intensidade, mas persegue o "sonho chinês" de alcançar uma prosperidade com segurança. Para tanto, as guerras não são desejáveis, a não ser que seja atacada ou sofra um desafio cuja única solução seja o embate militar.

Sendo assim, podemos inferir que a Rússia deve ser encarada como a principal ameaça, atual, aos países ocidentais, em especial aos EUA e aos Estados europeus.

A afirmação acima teve como referência as análises de nossas Seções China, EUA e Europa constantes no Blog nos links: https://www.atitoxavier.com/my-blog/categories/china, https://www.atitoxavier.com/my-blog/categories/eua e https://www.atitoxavier.com/my-blog/categories/europa, respectivamente.

Para aqueles que desejarem estudar mais a fundo a ameaça russa à Europa, encontra-se disponível no Blog em https://de9a.b8c-83aa-4859-a249-87cfa41264df.usrfiles.com/ugd/de9abb_c37ef8bf73614ce8bd6f0367a2104b68.pdf, um estudo elaborado em 2019 pela RAND Corporation, chamado Russia's Hostile Measures in Europe - Understanding the Threat, que detalha as atitudes russas contra os europeus. Recomendamos a leitura.

Outro evento que ilustra muito bem a nossa afirmação foi o recente encontro da OTAN, junho de 2021, em que foi afirmado por essa aliança que a Rússia é a ameaça a ser considerada e a China é um desafio a ser acompanhado e analisado, ou seja, não a consideram ainda uma ameaça propriamente dita.

Abaixo segue um trecho do comunicado oficial da OTAN sobre o tema, em que possui vários parágrafos sobre a ameaça russa à Aliança, e que encontra-se acessível em https://www.nato.int/cps/en/natohq/news_185000.htm:

"Russia’s aggressive actions constitute a threat to Euro-Atlantic security. [...] China’s growing influence and international policies can present challenges that we need to address together as an Alliance."

Além disso, o encontro de Biden com Putin, em 16 de junho, onde foram tratados vários temas, como a guerra cibernética, dentre outras preocupações estadunidenses, demonstram que Washington considera Moscou com muita cautela, haja vista que as relações entre esses governos estão em seu pior momento, inclusive sem embaixadores nacionais em ambos os países. O encontro tentou restabelecer as ligações diplomáticas, o que foi feito, mas dentro de grande desconfiança mútua.

Continuando a nossa análise, a reunião da OTAN e o encontro entre os presidentes russo e estadunidense reforçaram a nossa afirmação, bem como alçaram a Rússia como uma grande potência a ser respeitada e temida, o que era a principal intenção de Putin quando assumiu o poder.

Abaixo encontram-se algumas percepções da sociedade estadunidense em relação as principais ameaças. Nela podemos ver que a China é vista como uma ameaça econômica, enquanto a Rússia como uma ameaça militar. Ainda, em relação a principal percepção, vemos que a Rússia participa com os seus ataques cibernéticos aos EUA:

Figura disponível em: http://cdn.statcdn.com/Infographic/images/normal/4535.jpeg

Na figura abaixo vemos a percepção dos europeus, e mais uma vez a Rússia lidera como principal ameaça:

Figura disponível em: https://www.pewresearch.org/wp-content/uploads/sites/2/2017/07/PG_2017.08.01_Global-Threats_04.png

O Blog é de opinião de que a Rússia por sua agressividade e imprevisibilidade geopolítica deve ser considerada como a principal ameaça a paz e a segurança internacional.

Convém lembrar que os russos estão tentando ampliar a sua influência no mundo, notadamente na África e na América do Sul. Dessa forma, devemos acompanhar com atenção os movimentos russos no nosso Entorno Estratégico, pois poderemos ser impactados na problemática estadunidense-europeia-russa.

Qual a sua opinião? Você também acha a Rússia como a principal ameaça a paz e a segurança internacional?

Seguem alguns vídeos para as nossas análises:

Matéria de 16/06/2021:

Matéria de 14/06/2021:

Matéria de 14/06/2021:

Matéria de 31/05/2021:

Matéria de 16/06/2021:

Matéria de 17/06/2021:

Matéria de 14/06/2021:

Matéria de 14/06/2021:

Matéria de 16/06/2021:


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Vídeo interessante da BBC Brasil sobre Vladimir Putin e que contribui com o artigo.



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