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Qual será a próxima "jogada"geopolítica de Putin?


Figura disponível em: https://static01.nyt.com/images/2021/02/02/opinion/02friedman1/02friedman1-mobileMasterAt3x.jpg

Em vários de nossos artigos mostramos que tanto os EUA quanto os seus aliados da OTAN consideram a Rússia como uma ameaça, conforme podemos nos dois artigos selecionados por nós:

  • "A política externa de Biden e os seus possíveis impactos geopolíticos", disponível em https://www.atitoxavier.com/post/a-política-externa-de-biden-e-os-seus-possíveis-impactos-geopolíticos, onde afirmamos que os EUA desejam realizar a defesa da democracia nos EUA e no mundo, pois se considera que ela esteja sendo ameaçada por alguns governantes e regimes totalitários, sendo uma mensagem à Rússia e a outros governos, bem como realizará a revitalização dos laços com os aliados e parceiros, cujo objetivo é sair do isolacionismo e enfrentar melhor as ameaças da China e da Rússia;

  • "OTAN 2030 - possíveis impactos geopolíticos no cenário internacional. O Brasil será impactado?", acessível em https://www.atitoxavier.com/post/otan-2030-possíveis-impactos-geopolíticos-no-cenário-internacional-o-brasil-será-impactado, em que mostramos que a a Rússia deve ser tratada de forma dual: deterrência a ameaça russa e criação de um diálogo construtivo com o governo de Moscou, devido a agressividade russa, por meio dos seus serviços de inteligência, a anexação de territórios (Crimeia e crise com a Georgia) e a implementação de bases na Síria (Mediterrâneo Oriental) e no Sudão (uma das principais linhas de comunicações marítimas para a Europa e com acesso ao Mediterrâneo), além do interesse sino-russo no Ártico.

Recentemente tanto os governos de Washington, quanto dos países da União Europeia têm realizado sanções contra a Rússia. Tal movimento mostra-se ser realizado de forma coordenada, visando tentar sufocar a economia russa com o intuito de forçar Putin a negociar pontos importantes para os países aliados, como a libertação do opositor do governo de Putin, Alexei Navalny, e a diminuição da ameaça a OTAN.

Nesse sentido, os EUA estão com uma postura mais assertiva em relação aos russos, onde Biden chegou a chamar Putin de assassino, e que ele pagará por sua interferência nas eleições presidenciais de 2020, o que teve como resultado o retorno do Embaixador russo ao seu país, trazendo a relação entre os países a um nível de maior confrontação.

Em 18 de março, o Departamento de Estado estadunidense em nota a imprensa afirmou que a construção do gasoduto NORD STREAM 2 é uma manobra geopolítica russa para dividir a Europa. Dessa forma, deixou claro que qualquer empresa ou instituição que trabalhe nessa construção está sujeita a sanções dos EUA e deve abandonar o empreendimento. Tal gasoduto é fundamental para a economia russa, e para o aumento da dependência energética europeia aos russos. Segue um trecho da nota:


The Department reiterates its warning that any entity involved in the Nord Stream 2 pipeline risks U.S. sanctions and should immediately abandon work on the pipeline (disponível em https://www.state.gov/nord-stream-2-and-potential-sanctionable-activity/)


Convém mencionar que a popularidade de Putin está sendo ameaçada pelos intensos protestos de parte da população russa.

Dessa forma, o mandatário russo em um pronunciamento interno alegou que a Rússia está sendo alvo da atuação da inteligência estrangeira, com o intuito de desestabilizar o país e que as eleições russas, que acontecerão em setembro desse ano, estão sob ameaça. Com isso, ele apelou para a defesa da soberania russa, e que com essa desculpa aumentará o emprego dos seus serviços de inteligência e de contrainteligência, bem como terá respaldo para sufocar a oposição interna, conforme podemos ver a seguir:


"Não podemos permitir, nem permitiremos, nenhum golpe à soberania da Rússia, ao direito do nosso povo a ser dono da sua terra” (disponível em https://observador.pt/2021/02/17/putin-apela-a-defesa-das-eleicoes-legislativas-russas-contra-a-ingerencia-estrangeira/)


Alguns analistas acreditam que Putin poderá iniciar outra campanha militar contra algum país Báltico, como a Lituânia, Estônia e Letônia, visando aumentar a sua popularidade as vésperas das eleições e, com isso, tirar o foco dos problemas internos. É digno de nota que Putin teve a sua popularidade aumentada por ocasião da anexação da Crimeia.


Figura disponível em: https://cdn.britannica.com/47/6247-050-B18A535A/Baltic-Estonia-Latvia-Lithuania.jpg

Achamos pouco provável que haja uma campanha militar direta russa ou o emprego da GRAY ZONE nos países bálticos, pois eles pertencem a OTAN, e com isso seria considerado um ataque a aliança e que teria uma resposta a altura. Ainda mais no novo cenário, em que os EUA retomam a política de alianças. Nesse caso, em nossa opinião, Putin teria muito a perder.

O Blog é de opinião de que Putin tentará alguma manobra geopolítica para consolidar a sua posição no poder, que está desgastada internamente, ainda mais no atual cenário em que os EUA retomam a política de parcerias e alianças, em que atuará de forma coordenada com a OTAN.

Acreditamos que Moscou aumentará a sensação de ameaça aos países ocidentais, mas sem cruzar a "linha vermelha"que poderia resultar em conflito, visando atingir os seus objetivos geopolíticos na Europa, onde um deles seria o término das sanções econômicas em troca da diminuição do grau de ameaça a OTAN e aos EUA. Dessa forma, tentará a negociação ganha - ganha.

O atual cenário geopolítico está um pouco mais complicado para os russos.

Qual a sua opinião? O que acha que Putin fará?

Nos resta acompanhar atentamente o desdobramento dos eventos, nesse intrincado jogo de xadrez geopolítico.

Seguem alguns vídeos para as nossas análises:

Matéria de 05/03/2021:

Matéria de 17/03/2021:

Matéria de 18/03/2021:

Matéria de 19/03/2021:

Matéria de 02/02/2021:

Matéria de 24/02/2021:

Matéria de 18/03/2021:

Matéria de 17/03/2021:

Matéria de 31/01/2021:

Matéria de 31/12/2019:

Matéria de 25/02/2021:




2 comentários


wall.renato
wall.renato
21 de mar. de 2021

O que vc pensa sobre a possível mudança de "alvo" na política externa da Rússia, passando a olhar mais para a América do Sul, tendo como "janela" de entrada o BRICS?

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Alexandre Tito Xavier
Alexandre Tito Xavier
21 de mar. de 2021
Respondendo a

Boa tarde Comte. Muito obrigado pela questão. A Rússia está tentando aumentar a sua influência tanto na África quanto na América do Sul. Aqui no nosso continente, acredito que tentará aumentar a sua aproximação, visando fazer negócios tentando aliviar as pressões das sanções econômicas. Ela está oferecendo parcerias no campo energético (notadamente o nuclear por meio da ROSATOM), militar etc. Outro exemplo é o oferecimento da vacina Sputnik V. Está tendo sucesso.

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