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Parceria China e Irã: desafio aos EUA e mudança geopolítica no Oriente Médio.


Figura disponível em: https://lh3.googleusercontent.com/proxy/mhkeagDET9P-Fwp2PKupyUlfuM9i31A9UgU0v6jPhEwFnp1irXl12FAuIclNES2ZrKDYcI3GDFZ9iF6MgBrWQRhsm5ofDRmePAW03zmbIZT3tVecCKw8WN0MigfJvJk-UA

O governo de Donald Trump retirou o país do acordo nuclear de 2015 entre o Irã, os EUA e os seus países aliados, e estabeleceu uma política de sanções econômicas contra os iranianos, com o intuito de pressionar esse país a renegociar um novo acordo de desenvolvimento nuclear por meio do estrangulamento econômico, afastando os países ocidentais e a Índia de possíveis parcerias comerciais com o Irã. Além disso, essa medida escalou ainda mais a tensão entre os governos de Washington e Teerã.

Sendo assim, isso fez o Irã olhar para possíveis parcerias, dando a oportunidade para o estabelecimento de um acordo estratégico de 25 anos entre a China e o Irã, nos setores econômico e militar.

O acordo prevê que o governo chinês investirá 400 bilhões de dólares em infraestrutura construindo portos, ferrovias e implementando a tecnologia 5G, bem como estabelecerá parceria no desenvolvimento de armamentos, compartilhamento de informações de inteligência e a realização de exercícios militares entre esses países. Por outro lado, o Irã pagará os investimentos com o fornecimento de petróleo.

Apesar de ser uma alternativa para o Irã escapar do estrangulamento econômico, os iranianos olham para o governo chinês com certa desconfiança. Essa parceria já havia sido proposta pela China em 2016, mas somente agora está sendo discutido no parlamento iraniano para a aprovação.

O receio de Teerã é que devido ao grande problema econômico iraniano, isso faça com que o país esteja numa posição enfraquecida para a negociação, podendo cair na diplomacia chinesa da armadilha da dívida, que já comentamos no Blog, com a postagem: China e a diplomacia da armadilha da dívida, disponível em: https://www.atitoxavier.com/post/china-e-a-diplomacia-da-armadilha-da-dívida .

Esse acordo é geopoliticamente estratégico para a China, pois possibilita a diversificação das fontes fornecedoras de petróleo, permite ao governo chinês ter um porto que possa operar no Estreito de Ormuz. Além de, por meio do prolongamento da ferrovia que fará no Paquistão até o Irã, poderá ter um escoamento de commodities entre a China e o Golfo Pérsico, isolando a Índia. O acordo coloca o Irã no projeto chinês Belt and Road Iniciative.


Figura disponível em: https://i.dawn.com/large/2015/12/567663ce808e7.jpg

A aprovação do acordo com a China pelo parlamento iraniano será um desafio a política estadunidense, e uma derrota geopolítica para os EUA, pois diminui a sua influência na região.

A Índia perderá muito com esse acordo, pois o Irã cancelará o projeto de construção de uma ferrovia que estava negociando com aquele país, devido a postura indiana de agradar os EUA, e com isso participando das sanções ao governo iraniano.

O Blog é de opinião que o acordo é estratégico para a China e o Irã, devido aos seguintes motivos:

  • permitirá a manutenção do atual regime iraniano no poder;

  • o Irã poderá auxiliar economicamente a Síria, bem como o Hezbollah, que é seu proxy no Líbano, mantendo o seu projeto do Arco Xiita, já comentado no Blog na postagem: O Arco Xiita, desejo geopolítico do Irã, e os impactos no Oriente Médio, disponível em: https://www.atitoxavier.com/post/o-arco-xiita-desejo-geopolítico-do-irã-e-os-impactos-no-oriente-médio ;

  • dá a oportunidade da China incrementar a sua influência no Oriente Médio, pois historicamente não tinha um protagonismo nessa região;

  • A China aumenta a diversificação de seus fornecedores de petróleo, incrementando a sua segurança energética;

  • é um troco geopolítico nos EUA em suas políticas contra a China e o Irã, principalmente na proximidade de sua eleição presidencial ;

  • diminui a influência estadunidense no Oriente Médio.

É importante acompanharmos o desenrolar desse evento, e qual será a reação dos EUA.

Qual a sua opinião?

Seguem alguns vídeos para nossas análises:

Os dois vídeos a seguir mostram a versão chinesa do acordo:

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