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Os BRICS poderão ter a sua relevância incrementada no cenário internacional? Parte II.


Figura disponível em https://www.polemicaparaiba.com.br/internacional/bloco-de-paises-do-brics-tera-seis-novos-integrantes-a-partir-de-janeiro-de-2024/

No nosso artigo "Os BRICS poderão ter a sua relevância incrementada no cenário internacional?", de 14 de julho de 2022, disponível em https://www.atitoxavier.com/post/os-brics-poderão-ter-a-sua-relevância-incrementada-no-cenário-internacional, afirmamos que o grupo dos BRICS tentava buscar um aumento da sua relevância no cenário internacional, num mundo que está em possível transição para uma Nova Ordem Mundial, mostrando-se como uma alternativa de modelo de desenvolvimento econômico viável ao do G7 para os demais países em desenvolvimento, bem como dissemos que a Argentina e o Irã despontavam como principais candidatos a ingressarem no grupo. Além disso, também afirmamos que os membros do BRICS possuem objetivos geopolíticos e visões de mundo distintos, bem como alguns desses países possuem rivalidades entre si, além de disputas geopolíticas, como o caso entre a China e a Índia, e que possuem valores diferentes, como ideologia política etc, o que, em nossa visão, não contribui para o fortalecimento geopolítico do grupo. No artigo mencionado, continuando a nossa análise, previmos que o grupo dos BRICS poderia se tornar numa união de governos com regimes autoritários, ainda mais quando percebe-se no Século XXI uma onda de insatisfação com regimes democráticos, como temos observado no mundo, com um todo, e comentado no Blog em alguns de nossos artigos, havendo o surgimento de movimentos populistas, extremistas e autoritários.

Nesse sentido, no dia 24 de agosto, os atuais membros do BRICS anunciaram a sua ampliação com o convite formal para os governos da Argentina, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Irã.

Figura disponível em https://www.poder360.com.br/internacional/brics-anuncia-expansao-com-6-novos-paises/

Ao verificarmos os futuros membros podemos verificar que repete-se a análise que fizemos em 2022, pois existem rivalidades geopolíticas, governos autoritários e visões de mundo distintas, ratificando as nossas análises, principalmente a de que a sua formação não contribui para o fortalecimento político do grupo. Assim, tentaremos mostrar abaixo o que afirmamos acima:


A) disputa geopolítica Egito x Etiópia:


- nos nossos artigos "Geopolítica do Nilo Parte II. Possível escalada da crise", de 07 de março de 2021, "A Geopolítica do Nilo: controle da água. Possível fonte de conflito ou de cooperação?", de 02 de agosto de 2020, que podem ser lidos respectivamente em https://www.atitoxavier.com/post/geopolítica-do-nilo-parte-ii-possível-escalada-da-crise e https://www.atitoxavier.com/post/a-geopolítica-do-nilo-controle-da-água-possível-fonte-de-conflito-ou-de-cooperação , apresentamos a crise politico - militar entre os governos egípcio e etíope; e

- no nosso artigo "Etiópia: fator de instabilidade na África Oriental", de 16 de novembro de 2021, acessível em https://www.atitoxavier.com/post/etiópia-fator-de-instabilidade-na-áfrica-oriental , falamos que o Egito estava sendo acusado pela Etiópia de dar suporte a grupos rebeldes etíopes, como os Gumuz rebels e o Tigray People's Liberation Front (TPLF), e com isso tentando desestabilizar o governo de Abiy Ahmed, forçando uma troca de poder. Isso poderia facilitar a retomada das negociações sobre a problemática da represa Grand Ethiopian Renaissance Dam com melhores condições, pois a liderança etíope estaria fragilizada. Além disso, no artigo fizemos outras análises;


B) disputa geopolítica Arábia Saudita x Irã:


Em que pese a recente reaproximação, intermediada pela China, entre a Arábia Saudita e o Irã, que analisamos no nosso artigo "China como protagonista internacional - será o fim da guerra fria entre o Irã e a Arábia Saudita?", de 18 de março de 2023, disponível em https://www.atitoxavier.com/post/china-como-protagonista-internacional-será-o-fim-da-guerra-fria-entre-o-irã-e-a-arábia-saudita , acreditamos que ainda é muito cedo para afirmar que tais países que estavam vivenciando uma disputa velada, desde a revolução iraniana de 1979, pela influência no mundo muçulmano, ou seja, uma Guerra Fria no Oriente Médio, pois vinham se enfrentando por meio da guerra por procuração, como o Conflito do Iêmen.

Nesse contexto, sugerimos a leitura dos nossos artigos:

- " Guerra fria muçulmana: Arábia Saudita x Irã", de 09 de abril de 2020, disponível em https://www.atitoxavier.com/post/guerra-fria-muçulmana-arábia-saudita-x-irã, afirmamos que o Oriente Médio estava sendo um palco de disputa geopolítica entre os sauditas e os iranianos pelo mundo muçulmano, e que o Iêmen estava sendo um palco de guerra à distância ou por procuração entre eles. Além disso, também dissemos que caso o Irã desenvolva armamento nuclear, ocorreria uma escalada ainda maior da crise, pois a Arábia Saudita também iria querer dispor do mesmo armamento, o que deixaria o ambiente na região muito mais tenso;


- "Os Houthis e sua influência na geopolítica do Oriente Médio. São um proxy do Irã?", de 19 de julho de 2020, acessível em https://www.atitoxavier.com/post/os-houthis-e-sua-influência-na-geopolítica-do-oriente-médio-são-um-proxy-do-irã, falamos que, de acordo com a nossa análise, os Houthis seriam um movimento análogo ao Hezbollah, e caso consigam controlar o Iémen seria uma vitória iraniana, aumentando a sua área de influência, além de cumprir um dos seus objetivos estratégicos referente ao Arco Xiita. Ademais, apesar da negativa dos Houthis e do Irã sobre a aliança militar, várias fontes e investigações informam que são verdadeiros tais informes, inclusive a presença de integrantes do Hezbollah no apoio ao lado xiita.


C) governos autoritários: Arábia Saudita, Egito, Irã e Emirados Árabes Unidos; e


D) governos com instabilidade interna: Etiópia (problemas de segurança interna) e Argentina (crise econômica e social).


Entretanto, o novo BRICS se apresenta com uma importância geopolítica muito grande, devido a possuir grandes produtores de petróleo e gás, ter cerca de 46% da população mundial, e de ter um PIB Global maior que o do G7, agora o seu oponente comercial.


Figura disponível em https://cdn1.sputniknewsbr.com.br/images/07e7/08/1a/30052181.png

Logo, como tínhamos afirmado, o novo BRICS poderá ser um polo de atração para outros países em desenvolvimento, sendo uma alternativa aos países desenvolvidos. É digno de nota que havia uma lista de 23 países candidatos a novos membros, como podemos ver a seguir:

Figura disponível em https://static.poder360.com.br/2023/08/cupula-brics-integrantes-drive-18-ago-2023-02-1-1422x2048.png

Na lista acima, vê-se novamente a coincidência de países com governos autoritários.

Com base no exposto, podemos concluir que a expansão do BRICS com governos de viés autoritário, e que tentam se manter no poder e "fugir" das imposições do grupo Ocidental, que exige a observância dos valores democráticos e dos direitos humanos, bem como da preservação ambiental, é uma clara vitória chinesa, como um líder da frente antiocidental, que contesta a Ordem Mundial vigente, contrapondo-se dessa forma aos EUA. Também não deixa de ser uma vitória russa, mas em um nível diferente da chinesa.

Portanto, é um grupo complexo, problemático e sem coesão. Isso vai exigir da China um grande esforço de mediação dos conflitos entre os países do grupo.

Assim, em nossa visão, a afirmação acima é a verdadeira causa que une os países que querem fazer parte do BRICS, não sendo uma força motriz de uma ordem mundial mais justa, que promova a promoção da paz, como dito pelo governo brasileiro.

Nesse sentido, o mundo vai ficando mais multipolar, e em nossa opinião mais instável, não havendo uma força que possa estabilizá-lo. Assim, acreditamos que a Organização das Nações Unidas, bem como outros fóruns internacionais, perderão, ainda mais, a sua função e relevância.

Logo, acreditamos que o Brasil, por sua postura de tentar manter-se neutro, caiu na armadilha sino-russa, de enfrentamento com o mundo ocidental, e agora será visto diferentemente pelo Ocidente, o que impactará em alguns dos seus objetivos geopolíticos, como ser membro do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O Blog é de opinião que o novo BRICS marca a transição da Ordem Mundial, deixando o mundo mais multipolar e instável, ratificando as nossas análises do ano passado.

Outrossim, o Brasil tem a sua relevância no novo grupo diminuída e diluída pelos novos entrantes, notadamente a Arábia Saudita e o Irã.

Qual a sua opinião?

Seguem alguns vídeos para auxiliar a nossa análise:

Matéria de 25/08/2023:

Matéria de 22/08/2023:

Matéria de 24/08/2023:

Matéria de 24/08/2023:

Matéria de 24/08/2023:

Matéria de 25/08/2023:


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