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Mar do Sul da China: tensão constante. Poderá haver conflito na região? Parte II


Figura disponível em: https://foreignpolicy.com/wp-content/uploads/2020/05/China-Nine-Dash-Line-2.png?w=550

Conforme publicamos na postagem Mar do Sul da China: tensão constante. Poderá haver conflito na região? (disponível em: https://www.atitoxavier.com/post/mar-do-sul-da-china-tensão-constante-poderá-haver-conflito-na-região ), o Mar do Sul da China está vivenciando momentos de grande tensão, com o aumento da militarização dos países da área.

Recentemente os EUA enviaram dois Carrier Strike Groups para a região, num movimento de demonstração de força inédita nessa área. Além disso, o governo estadunidense noticiou que não vai permitir que a China domine o Mar do Sul da China de forma ilegal, sendo considerado pelos EUA uma manobra expansionista. Tal pronunciamento aliado ao incremento naval dos EUA nessa região deterioraram ainda mais as relações sino-estadunidense. Segue um trecho do discurso do Secretário de Estado Michael Pompeo:


The world will not allow Beijing to treat the South China Sea as its maritime empire. America stands with our Southeast Asian allies and partners in protecting their sovereign rights to offshore resources, consistent with their rights and obligations under international law. We stand with the international community in defense of freedom of the seas and respect for sovereignty and reject any push to impose “might makes right” in the South China Sea or the wider region. (disponível em: https://asean.usmission.gov/u-s-position-on-maritime-claims-in-the-south-china-sea/ ) (grifo nosso)


Convém mencionar que os componentes do bloco econômico denominado Associação de Nações do Sudeste Asiático - ASEAN, cujos membros são: Indonésia, Malásia, Filipinas, Cingapura, Tailândia, Brunei, Mianmar, Laos, Vietnã e Camboja, são os que disputam as áreas de exploração econômica marítima com a China.

A ASEAN e o governo chinês vêm trabalhando num acordo chamado Código de Conduta do Mar do Sul da China (COC em inglês), e que tem como principal objetivo regular como se darão as explorações econômicas na região sem afetar as respectivas soberanias dos envolvidos. Sendo assim, espera-se que o acordo final fique pronto até 2022. Um dos pontos principais é a não interferência de países externos à região. Caso o acordo prospere, poderá fomentar uma parceria econômica importante desse bloco com a China, fomentando novas formas de cooperação marítima para salvaguardar a paz, a estabilidade, o desenvolvimento e a prosperidade no Mar do Sul da China, o que não é do interesse dos EUA.

Figura disponível em: https://news.cgtn.com/news/3245444e34557a6333566d54/img/2a5460f0-5b4d-4613-9153-6d73ec9cf3ab.jpg

A China durante o período da pandemia tem demonstrado maior assertividade na região, o que trás incômodo e preocupação aos países envolvidos na disputa, principalmente o Vietnã. Outrossim, o governo chinês tem usado a coerção econômica, visando obter com que o COC lhe seja favorável.

Os EUA, também, buscam uma parceria econômica com a ASEAN, e com isso a disputa pelo Mar do Sul da China é uma oportunidade para o governo estadunidense oferecer um "guarda-chuva" contra as investidas chinesas, o que poderia atrair os países do bloco para o lado estadunidense.

Nesse cenário, o Blog acredita que a China deseja aplicar na região um tipo de Doutrina Monroe Chinesa, ou seja, a Ásia para os asiáticos, sem a interferência de potências externas, onde o único protagonista deve ser o governo de Pequim, para tanto vem ampliando o seu poderio militar na área disputada, notadamente o seu poder naval. Sendo assim, com o intuito de diminuir a influência dos EUA na região, e obter vantagens nas negociações com os países na área marítima disputada, utilizará a pressão militar e econômica. Por outro lado, os EUA não querem perder o protagonismo no Pacífico e mercado para a China, ainda mais na proximidade da sua eleição presidencial, com isso adotará uma política mais contundente contra o governo chinês. Nesse diapasão os países da ASEAN encontram-se no meio da competição entre a China e os EUA pelo seu importante mercado, e até o momento a ASEAN não tomou partido, e poderá explorar essa disputa a seu favor. Acreditamos que a China leva vantagem devido a sua influência econômica na área, principalmente com o seu projeto Belt and Road Iniciative, e pela facilidade da manutenção da presença militar na região, o que não é tão fácil para os EUA.

Figura disponível em: https://aseanup.com/wp-content/uploads/2014/09/asean-market-2016.jpg

Agora nos resta acompanhar se haverá uma escalada na crise, e que ao ver do Blog, depende da postura chinesa como terminará essa disputa geopolítica. Ademais, existem outros governos que têm se manifestado contrariamente contra a posição chinesa como a Austrália (piorando a sua relação com a China).

Qual a sua opinião? Quem tem a maior vantagem nessa disputa geopolítica? Haverá conflito, ou somente um jogo geopolítico?

Seguem alguns vídeos para aprofundarmos as nossas análises (em alguns vídeos legendas podem ser inseridas):


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