Inteligência Satelital e Geoespacial: nova forma de dissuasão - diminuição do fator surpresa.


Figura disponível em: https://conexis.org.br/conexis-comemora-aprovacao-da-mp-que-reduz-tributos-da-internet-por-satelite-pela-camara/

O Blog tem acompanhado ao longo dos seus artigos a crescente importância da Geopolítica Espacial, na qual temos observado uma nova disputa nesse ambiente, gerando a militarização do espaço, fato exemplificado pela criação da US Space Force pelos EUA, analisada no nosso artigo "US Space Force: propaganda geopolítica ou decisão visionária? Espaço a nova fronteira de conflito", disponível em https://www.atitoxavier.com/post/us-space-force-propaganda-geopolítica-ou-decisão-visionária-espaço-a-nova-fronteira-de-conflito.

Além disso, vemos alguns Estados criarem agências de inteligência e setores responsáveis por monitoramento espacial e geoespacial com fins estratégicos, como a National Geospatial-Intelligence Agency, dos EUA.

Como o tema ainda é pouco debatido no nosso país, criamos a Seção Geopolítica Espacial que tem como objetivo possibilitar ao nosso leitor conhecer e refletir um pouco, em nossa visão, sobre o uso da Inteligência Satelital - IS e Geoespacial - IG como uma nova forma de dissuasão.

O atual conflito da Ucrânia tem nos mostrado a importância do uso do ambiente espacial tanto no campo operacional quanto no tático, pois pode-se acompanhar, por meio da análise de imagens, o deslocamento das forças no terreno, bem como, a sua disposição, permitindo que sejam realizados ataques precisos e eficazes ao oponente, decisões de como empregar as forças, estudo da melhor estratégia a ser usada, emprego das imagens em Operações de Informação, por meio de suas capacidades, como Comunicação Social, Operações Psicológicas, Guerra Eletrônica, dentre outras. Sugerimos a releitura do nosso artigo "O Conflito na Ucrânia e a Geopolítica Espacial", acessível em https://www.atitoxavier.com/post/o-conflito-na-ucrânia-e-a-geopolítica-espacial. Ademais, os satélites podem ser utilizados como sistemas de guiagem de aeronaves remotamente pilotadas e de armamentos modernos.

Além disso, torna-se cada vez mais difícil e complexo surpreender o possível oponente, se este possuir um sistema de monitoramento espacial, pois ele poderá, por meio do acompanhamento dos setores de interesse e das regiões estratégicas, ao longo do tempo, analisar as possíveis preparações e deslocamentos para a área de operações, principalmente durante o início de tensões. Assim, o fator surpresa do passado, deixa praticamente de existir, ficando mais complicado esconder, surpreender e despistar.

Dessa forma, podemos entender a importância da nova corrida espacial, onde o contínuo desenvolvimento autóctone de novas tecnologias (sistemas de posicionamento satélite, satélites espiões, sistemas de destruição de satélites, dentre outras) tem sido uma das prioridades das grandes potências.

Nesse sentido, temos observado um crescente aumento da contratação, por alguns Estados, dos serviços de empresas privadas, como a Maxar Technologies, que oferecem o serviço de monitoramento espacial, visando reduzir custos operacionais.

Entretanto, os países que não detêm a tecnologia espacial ficam "reféns" das empresas estrangeiras, o que, a nosso ver, é uma vulnerabilidade, pois dependendo da tensão ou crise militar em que se envolvam, os serviços contratados poderão ser degradados ou interrompidos. Isso tem grande probabilidade de acontecer, pois essas empresas poderão sofrer pressões políticas e econômicas de seus governos, caso tomem partido no problema. Convém mencionar que o nosso país possui o Programa Estratégico de Sistemas Espaciais - PESE, mas que, no momento, é dependente de empresa privada estrangeira. Sugerimos a releitura do nosso artigo "Importante passo para o controle da soberania do Brasil", que pode ser acessado em https://www.atitoxavier.com/post/importante-passo-para-o-controle-da-soberania-do-brasil.

Portanto, vemos que as Inteligências Satelital e Geoespacial começam a mudar a forma de travar os novos conflitos. Não podemos esquecer que a IS contribui, também, no combate à pirataria e à pesca ilegal, bem como em outras formas de crimes transnacionais pelo mar.

O Blog é de opinião que os Estados que não tratarem as Inteligências Espacial e Geoespacial com a devida atenção ficarão anacrônicos e vulneráveis a nova realidade de como os conflitos começam a serem travados.

Outrossim, é fundamental que haja o incentivo e investimento de tecnologia satelital, visando mitigar a dependência de empresas estrangeiras nos assuntos de defesa.

Qual a sua opinião?

Seguem alguns vídeos para ajudar em nossas análises:

Matéria de 2019:

Matéria de 25/03/2022:

Matéria de 13/07/2021:

Matéria de 29/12/2021:

Matéria de 17/05/2021:

Matéria de 16/02/2018:

Matéria de 21/02/2019:

Matéria de 15/01/2016: