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Diplomacia Naval do Irã: possível impacto para o Brasil - parte III.


Figura disponível em https://navalpost.com/wp-content/uploads/2021/04/A_group_of_Iranian_Navy.jpg

O Blog em seus artigos "Diplomacia Naval do Irã: possível impacto para o Brasil", de 31 de janeiro, acessível em https://www.atitoxavier.com/post/diplomacia-naval-do-irã-possível-impacto-para-o-brasil, e "Diplomacia Naval do Irã: possível impacto para o Brasil - parte II. Decisão acertada", de 11 de fevereiro, disponível em https://www.atitoxavier.com/post/diplomacia-naval-do-irã-possível-impacto-para-o-brasil-parte-ii-decisão-acertada, vem acompanhando o uso da Diplomacia Naval iraniana sobre o Brasil, e já alertava que devemos estar atentos ao uso da Diplomacia Naval por parte de alguns países para não sermos usados como "peões" no cenário internacional, pagando o preço de sermos impactados em alguns setores, como o de defesa, com restrições de acesso a tecnologias importantes, pois como dissemos: alguns creem que "o amigo do meu inimigo, não é meu amigo". Afinal, o que importa entre os Estados são os seus interesses.

Assim, recomendados a leitura do nosso artigo "A Força Naval como um instrumento da diplomacia: Diplomacia das Canhoneiras e Diplomacia Naval", de 19 de agosto de 2021, que pode ser lido em https://www.atitoxavier.com/post/a-força-naval-como-um-instrumento-da-diplomacia-diplomacia-das-canhoneiras-e-diplomacia-naval, para possam relembrar o conceito da Diplomacia Naval.

Em nossa análise, o Irã empregou a sua Diplomacia Naval, utilizando o nosso país como um "inocente útil", explorando o viés da diplomacia "autonomista" da política externa do atual governo, para mandar uma mensagem aos EUA que possui capacidade de presença global e um possível apoio logístico nas Américas.

Assim, em que pese o nosso país ter mostrado certa "independência" em suas decisões de soberania, ao mesmo tempo mostrou "inocência", pois, em nossa visão, faltou uma análise global e profunda, com apoio da Inteligência estratégica brasileira, sobre os possíveis impactos dessa decisão antes de ter formalizado a autorização de atracação dos navios de guerra iranianos, que estavam claramente usando a Diplomacia Naval do governo de Teerã.

É digno de nota que as solicitações de atracação de navios militares estrangeiros são feitas com uma boa antecedência, o que permite a realização de uma análise estratégica pormenorizada sobre os impactos da autorização, quando, em nossa opinião, estamos vivendo num mundo onde impera a visão realista das relações internacionais.

Nesse contexto, em que o Século XXI está sendo marcado pela competição entre as grandes potências, é importante prudência, sabedoria e análises profundas em decisões político - estratégicas, ainda mais quando não temos independência tecnológica e pretendemos ter protagonismo internacional.

Outrossim, as comemoração dos 120 anos do estabelecimento de relações diplomáticas entre os países poderiam ter sido realizadas por intermédio de uma cerimônia na Embaixada iraniana, ou no próprio Itamaraty, ou seja, sem o uso de meios militares que sempre enviam uma mensagem subliminar, ainda mais quando não foram convidados pelo governo.

Nesse sentido, como já havíamos alertado e analisado, era esperado que alguns representantes da política estadunidense solicitassem aplicações de sanções ao Brasil, o que em nossa visão, existe uma grande probabilidade de acontecer, via Departamento de Estado dos EUA.

Convém mencionar que alguns governos estadunidenses, com presidentes do partido Democrata, não permitiram a venda de itens importantes para o nosso setor de defesa prejudicando a nossa Base Industrial de Defesa e com isso geração de empregos, de riqueza e o desenvolvimento tecnológico, em parte devido a política externa de aproximação com países considerados antagônicos à Washington, como o Irã.

Sugerimos a leitura dos nossos artigos "Tecnologia própria é independência! Será que estamos atentos a isso? Análise da Defesa brasileira" e "Tecnologia própria é independência! Será que estamos atentos a isso? Parte II", disponíveis na Seção Brasil em https://www.atitoxavier.com/my-blog/categories/brasil.

Abaixo segue um trecho da entrevista da Porta-Voz do governo estadunidense sobre a posição de Washington:


"Hospedar embarcações navais iranianas pertencentes a um regime que está brutalmente reprimindo seu povo e fornecendo armas à Rússia para usar na guerra contra a Ucrânia e envolvido em terrorismo e proliferação de armas em todo o mundo envia uma mensagem errada na direção errada" [...] O Brasil é um país soberano, que toma suas próprias decisões e decide como se relacionar com outros países, inclusive o Irã. Mas, em uma visão mais ampla, esses navios (...) têm sido usados para facilitar atividades ilícitas. Deixamos claro para os países relevantes que esse navios não deveriam atracar em nenhum país, declarou Jean-Pierre, durante entrevista coletiva na noite de quarta-feira (8)." (fonte: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2023/03/09/brasil-envia-mensagem-errada-ao-mundo-ao-autorizar-navios-iranianos-em-porto-do-rio-dizem-eua.ghtml )


Entretanto, tais sanções, caso aconteçam, serão de forma sútil, como no passado, tal como o aumento da dificuldade sobre a venda de determinados equipamentos ou materiais que possam contribuir para a nossa indústria de defesa, como, também, já tínhamos analisado em outros artigos do Blog.

Logo, acreditamos que uma política externa soberana deve atender aos objetivos de Estado, e não de governo, preservando o bem estar da sociedade, que privilegie a constante independência do país em todos os setores, seja o alimentar, tecnológico, defesa e energético.

O Blog é de opinião que, em que pese a prevalência da diplomacia "autonomista" sobre a "institucionalista pragmática" no atual governo, o nosso país foi usado pela política externa iraniana, por meio da sua Diplomacia Naval, no intuito de desafiar os EUA.

Assim, as decisões em política externa devem, smj, ser tomadas após uma análise estratégica pormenorizada, com o apoio da Inteligência Estratégica, e que seja benéfica a sociedade brasileira, ou seja, com visão de Estado, e não de governo, o que geralmente é difícil de ser feita.

Resta-nos acompanhar os possíveis impactos que poderão advir da decisão brasileira sobre o nosso país.

Qual a sua opinião?

Seguem alguns vídeos para ajudar em nossa análise:

Matéria de 09/03/2023:

Matéria de 03/03/2023:

Matéria de 03/03/2023 - recomendo assistir o vídeo até o fim:

Matéria de 01/03/2023:

Matéria de 01/03/2023:

Matéria de 02/03/2023:

Matéria de 28/02/2023:



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