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Como os Jogos de Guerra Analíticos podem aperfeiçoar os analistas de inteligência?


Figura disponível em: https://i2.wp.com/cimsec.org/wp-content/uploads/2018/12/43090100541_4ec92234b8_o-e1544306976670.jpg?fit=1200%2C669&ssl=1

Os Jogos de Guerra têm ganhado a cada ano maior relevância no cenário internacional angariando muitos estudiosos, civis e militares, devido ao seu emprego dual, ou seja, pode ser utilizado tanto no meio civil quanto no militar.

Dessa forma, o Blog em sua Seção Jogos de Guerra, acessível em https://www.atitoxavier.com/my-blog/categories/jogos-de-guerra, vem dedicando um espaço para o aprofundamento e o debate deste tema no nosso país, que ainda é carente de bibliografia nacional, sendo necessário que recorramos a fontes estrangeiras.

Sendo assim, continuando os nossos estudos e análises, no último artigo sobre o assunto "Quando começaremos a utilizar os Jogos de Guerra Analíticos com seriedade e de forma correta?", disponível em https://www.atitoxavier.com/post/quando-começaremos-a-utilizar-os-jogos-de-guerra-analíticos-com-seriedade-e-de-forma-correta, confirmamos as nossas análises anteriores onde dissemos sobre os JG serem uma ciência e uma arte, o que demanda pessoal especializado. Sendo assim, em nossa visão, a especificação de um JG se assemelha a fase de elaboração de um projeto de pesquisa, onde sempre teremos que responder a uma Questão Fundamental (QF) e estabelecermos Elementos Essenciais de Análise (EEA) que nos permitirão a elaboração de um Plano de Condução do JG, ou em inglês Data Management and Collection Plan, bem como concluímos que devemos a todo momento realizarmos JG analíticos, com o intuito de nos prepararmos para as mudanças no cenário internacional, que estão em constante transformação, e que apresentam ameaças e desafios cada vez mais complexos e mutáveis, ainda mais que estamos vivendo num mundo mais imprevisível e menos seguro. Alguns analistas consideram que vivemos no mundo chamado VUCA. Ao final do artigo lançamos ao leitor a seguinte questão para reflexão? "Queremos nos antecipar aos desafios futuros, evitando surpresas, ou queremos continuar indo a reboque dos acontecimentos?" Caso a resposta seja que desejamos nos antecipar, então devemos empregar os Jogos de Guerra imediatamente.

Nesse sentido, para que possamos montar os cenários de forma a responder a QF, é fundamental entender os desafios do mundo VUCA, e que impactarão no JG. Para tanto, o papel da análise de inteligência torna-se primordial, pois ela fornecerá subsídios que formarão a linha mestra do JG, como características do adversário, estudo do ambiente, situação geopolítica, dentre tantos outros elementos que ajudarão no entendimento dos EEA, que podemos exemplificar abaixo como:

- informações sobre a características e as estratégias dos atores envolvidos no JG;

- verificar como o adversário agiria quando submetido a uma situação;

- necessidade de obter informações sobre as forças armadas do oponente.

Nesse diapasão, podemos concluir que os EEA, são questões de inteligência que ajudarão a montar o JG, e que são derivadas da questão fundamental (QF) que dá origem ao jogo, por exemplo: "Como mitigar a nossa vulnerabilidade no Atlântico Sul?".

Destarte a figura abaixo, nos mostra a importância dos EEA e da análise de inteligência nos JG analíticos. Dessa forma, dentro do caráter dual, podemos incluir a inteligência militar, empresarial, policial, dentre outros ramos, dependendo da QF que formará o cenário do JG.

Além disso, durante o JG analítico os analistas da Equipe Vermelha ou red team se colocam no papel do adversário, vendo o mundo pela perspectiva dele. Tal exercício por parte dos analistas de inteligência os forçam a ficarem imersos no mundo oponente, estimulando-os a pensar, agir e reagir como o adversário faria aperfeiçoando-os no estudo e na análise do desafio, bem como ajudando-os a identificarem gaps ou lacunas de inteligência que só o JG consegue prover, principalmente quando lidamos com cenários prospectivos.

Convém mencionar que caso o desafio seja um oponente, como um Estado, competidor empresarial, organização criminosa, etc, ele estará fazendo o mesmo exercício de raciocínio sobre nós, mas talvez de forma menos metodológica.

Dessa forma, para termos uma maior probabilidade de sucesso, é necessário que utilizemos os JG analíticos como ferramenta para treinar e aperfeiçoar os analistas de inteligência. Para tanto, devemos estar constantemente "jogando"e repetindo o jogo, que contribuirá para elaborar e aperfeiçoar estratégias, bem como para a formulação de planos de contingência.

Outrossim, durante o estudo para a elaboração do cenário do JG poderão surgir "incertezas críticas"que foram definidas por Peter Schwartz (1991) como eventos incertos de grande importância para uma Questão Principal e que possuem um grau de incerteza elevado em relação ao ambiente. Assim sendo, quando identificadas por ocasião do início da montagem do JG será percebida uma necessidade de implementação de um acompanhamento por parte dos analistas de inteligência, com a produção de relatórios que apontem um sinal de modificação ou a sua consolidação. Tais incertezas poderão se apresentar como riscos ou oportunidades, como sugere a Dra. Elaine Marcial em seus estudos sobre Sementes de Futuro.

O Blog é de opinião que os Jogos de Guerra analíticos são fundamentais para aperfeiçoar os analistas de inteligência que poderão contribuir de forma mais eficiente para a montagem dos cenários, auxiliando na elaboração de melhores estratégias para fazermos frentes os desafios do mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo (VUCA) no qual vivemos.

Entretanto para que isso aconteça é necessário que os decisores das mais diversas instituições e organizações se conscientizem da importância da metodologia dos JG no sucesso frente aos desafios do Século XXI.

Dessa forma, voltamos para a questão que deixamos no artigo anterior e que repetimos novamente: "Queremos nos antecipar aos desafios futuros, evitando surpresas, ou queremos continuar indo a reboque dos acontecimentos?"

Em nossa opinião, o nosso país está muito aquém em relação aos outros países no tocante ao uso dos JG na solução dos desafios para um Brasil melhor.

Segue abaixo o link para o áudio sobre a entrevista do Encarregado do Centro de Jogos de Guerra da Escola de Guerra Naval, e que também está disponível em https://www.marinha.mil.br/egn/egn_podcast:



Disponibilizamos alguns vídeos abaixo para aprofundamento do tema:

Matéria de 2016:

Matéria de 07/07/2011:

Matéria de 22/07/2011:


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