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China como protagonista internacional - será o fim da guerra fria entre o Irã e a Arábia Saudita?


Figura disponível em https://images.wsj.net/im-740462?width=1280&size=1.33333333

O Blog em sua Seção Oriente Médio, que pode ser acessada pelo link https://www.atitoxavier.com/my-blog/categories/ori-m%C3%A9dio, acompanha os principais eventos geopolíticos nessa região, relevante no cenário internacional, ainda mais em virtude da Geopolítica Energética, que vem ganhando importância devido ao Conflito da Ucrânia, da Emergência Climática e das grandes rivalidades entre alguns Estados, que pode levar a um conflito.

Nesse sentido, a reaproximação dos rivais Irã e Arábia Saudita, em de 10 de março, chama a atenção, pois esses países estavam vivenciando uma disputa velada, desde a revolução iraniana de 1979, pela influência no mundo muçulmano, ou seja, uma Guerra Fria no Oriente Médio, pois vinham se enfrentando por meio da guerra por procuração, como o Conflito do Iêmen.

Figura disponível em https://iranprimer.usip.org/blog/2023/mar/10/iran-and-saudi-arabia-restore-ties

Assim, separamos, dentre vários do Blog, dois de nossos artigos para situar o leitor sobre a importância desse evento recente, bem como um breve vídeo:


" Guerra fria muçulmana: Arábia Saudita x Irã", de 09 de abril de 2020, disponível em https://www.atitoxavier.com/post/guerra-fria-muçulmana-arábia-saudita-x-irã, afirmamos que o Oriente Médio estava sendo um palco de disputa geopolítica entre os sauditas e os iranianos pelo mundo muçulmano, e que o Iêmen estava sendo um palco de guerra à distância ou por procuração entre eles. Além disso, também dissemos que caso o Irã desenvolva armamento nuclear, ocorreria uma escalada ainda maior da crise, pois a Arábia Saudita também iria querer dispor do mesmo armamento, o que deixaria o ambiente na região muito mais tenso;


"Os Houthis e sua influência na geopolítica do Oriente Médio. São um proxy do Irã?", de 19 de julho de 2020, acessível em https://www.atitoxavier.com/post/os-houthis-e-sua-influência-na-geopolítica-do-oriente-médio-são-um-proxy-do-irã, falamos que, de acordo com a nossa análise, os Houthis seriam um movimento análogo ao Hezbollah, e caso consigam controlar o Iémen seria uma vitória iraniana, aumentando a sua área de influência, além de cumprir um dos seus objetivos estratégicos referente ao Arco Xiita. Ademais, apesar da negativa dos Houthis e do Irã sobre a aliança militar, várias fontes e investigações informam que são verdadeiros tais informes, inclusive a presença de integrantes do Hezbollah no apoio ao lado xiita.


- Vídeo de 05 de janeiro de 2016:

No acordo, o Irã prometeu parar de fornecer armamento aos Houthis, o que poderá contribuir para uma negociação entre as partes envolvidas no conflito para um fim da guerra no Iêmen, que se arrasta há anos.

Entretanto, um fato que merece destaque é a intermediação do governo de Pequim, que não possuía uma tradição de mediar conflitos, e que agora vem se apresentando ao mundo como um ator internacional capaz de realizar tal empreitada, muito devido a possuir relações com Estados isolados politicamente pelo Ocidente, representado pelos EUA e os seus aliados europeus, como Irã, Rússia e Coreia do Norte. Convém mencionar que a China, atualmente, também tenta mediar um acordo entre a Ucrânia e a Rússia.

Cabe analisar que tal mediação demonstra que os EUA perderam um pouco do seu protagonismo no Oriente Médio, e que a China vem assumindo esse papel, ainda mais que precisa de petróleo e gás para a sua economia, e para os seus planos de expansão global, em que pese estar investindo pesado em energias alternativas. Destarte, um Golfo Pérsico seguro e estável é importante para os chineses manterem a sua importação de combustíveis fósseis com segurança e sem percalços.

Ademais, mostra que a Arábia Saudita não está tão dependente dos EUA, como no passado, apresentando uma postura mais autônoma, podendo ver no relacionamento com os chineses uma política mais alinhada ao seu regime.

Outra possível conclusão é que os chineses estão mudando a sua política externa, que estava bastante assertiva e agressiva, ou seja reativa, como abordamos no nosso artigo "Os "Wolf Warriors" e a diplomacia agressiva chinesa", de 19 de setembro de 2021, disponível em https://www.atitoxavier.com/post/os-wolf-warriors-e-a-diplomacia-agressiva-chinesa, para uma condizente com a figura de uma potência global capaz de estabilizar o mundo, como os EUA no pós Guerra-Fria até o início da Guerra ao Terror.

Tal conclusão nos leva a inferir que haverá um aumento da rivalidade entre estadunidenses e chineses.

Um ponto que merece acompanhar é como Israel, que vinha conseguindo estabelecer relações com os países sunitas do Oriente Médio, muito devido a ameaça iraniana à eles, reagirá a essa aproximação iraniano-saudita, pois ela poderá unir todo o mundo muçulmano, e com isso talvez o governo de Tel Aviv volte a ficar isolado na região. É digno de nota que existem conversações entre israelenses e sauditas sobre o estabelecimento de relações. Para tanto, sugerimos as leituras dos nossos artigos:


- "Acordo de Paz com Israel: Será a Arábia Saudita o próximo?", de 22 de setembro de 2020, disponível em https://www.atitoxavier.com/post/acordo-de-paz-com-israel-será-a-arábia-saudita-o-próximo, em que dissemos que num futuro próximo a Arábia Saudita assinaria um acordo de normalização das relações com Israel. Nesse diapasão, o governo saudita apoiaria a criação de um Estado Palestino com fronteiras bem diferentes as previstas anteriormente, que eram baseadas em 1967, e que fazia parte do plano de paz proposto recentemente pelos EUA e Israel. Além disso, tal aproximação dos Estados árabes do Golfo com Israel, colocaria uma grande pressão sobre o regime de Teerã, e iniciaria uma nova era na região do Oriente Médio, que não necessariamente será de paz; e


- "A nova configuração do Oriente Médio: bipolaridade Irã x Israel", de 24 de dezembro de 2020, acessível em https://www.atitoxavier.com/post/a-nova-configuração-do-oriente-médio-bipolaridade-irã-x-israel , em que afirmamos que a nova configuração do Oriente Médio foi criada pela ameaça iraniana aos países sunitas do Oriente Médio, devido ao aumento do Arco Xiita e do programa nuclear iraniano. Dessa forma, os países que normalizaram as relações com Israel buscaram uma aliança militar contra o inimigo comum, sendo bastante pragmáticos, deixando a causa palestina de lado, e seguindo o ditado "o inimigo do meu inimigo é meu amigo", bem como uma parceria econômica e tecnológica que poderia trazer prosperidade e segurança a toda região.

Nesse contexto, o acordo de aproximação entre a Arábia Saudita e o Irã, de 10 de março, que poderá reconfigurar a dinâmica regional do Oriente Médio, surpreendeu boa parte do mundo. Sugerimos a leitura da matéria, de 15 de março de 2023, da organização The Iran Primer: Power, Politics and U.S. Policy, intitulada "Iran and Saudi Arabia Restore Ties", disponível em https://iranprimer.usip.org/blog/2023/mar/10/iran-and-saudi-arabia-restore-ties, em que poderá ser lida a manifestação conjunta da Arábia Saudita, China e o Irã sobre o acordo.

O Blog é de opinião que o acordo poderá reconfigurar todo o Oriente Médio, e com isso deve ser acompanhado pelo poder político brasileiro, pois temos interesse econômico na região. Além disso, convém acompanhar também as reações de Israel sobre essa manobra geopolítica nessa região, bem como dos EUA em relação ao aumento da influência chinesa no Oriente Médio e do protagonismo chinês no mundo.

Qual a sua opinião?

Seguem alguns vídeos para ajudar em nossas análises:

Matéria de 16/03/2023:

Matéria de 14/03/2023:

Matéria de 10/03/2023:

Matéria de 17/03/2023:


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