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A nova estratégia naval dos EUA: ameaças russa e chinesa, sendo a chinesa a preponderante.


Figura disponível em: https://specials-images.forbesimg.com/imageserve/5fdbd13f5ab0a1523563e784/960x0.jpg?fit=scale

Nas análises em nosso artigo "Instabilidade na região do Indo-Pacífico e a possível recriação da Primeira Esquadra dos EUA", acessível no Blog em: https://www.atitoxavier.com/post/instabilidade-na-região-do-indo-pacífico-e-a-possível-recriação-da-primeira-esquadra-dos-eua, verificamos que apesar dos chineses possuírem uma marinha moderna e em franca expansão, ainda estão num nível abaixo dos estadunidenses, mas que em breve os ultrapassarão em letalidade e tecnologia, sendo primordial que os EUA, visando manterem-se como potência naval hegemônica, construírem alianças que possam conter o expansionismo chinês, e para tanto faz-se necessário aumentar a sua presença global, bem como aumentar e modernizar a US Navy.

Além disso, em outras análises que realizamos e que estão contidas nos artigos:

  • "Os EUA e os desafios atuais para manter a hegemonia global", disponível em https://www.atitoxavier.com/post/os-eua-e-os-desafios-atuais-para-manter-a-hegemonia-global , informamos que a US Navy não tem mais o controle local do mar, de forma plena, devido ao desenvolvimento de novos armamentos pelos seus principais adversários, como os mísseis hipersônicos russos e os navios e misseis chineses super capazes que colocam os meios navais estadunidenses ameaçados e a necessidade de se dispor de grande número deles ao redor do mundo com o intuito de proteger os aliados e de manter as linhas de comunicações marítimas (LCM) abertas, como a constante ameaça iraniana no estreito de Ormuz;

  • "Ártico: palco de novas disputas geopolíticas, como no passado", acessível em https://www.atitoxavier.com/post/ártico-palco-de-novas-disputas-geopolíticas-como-no-passado , informamos que a Rússia vem aumentando a militarização da região com a instalação de várias bases militares, tem aumentado a presença naval com submarinos balísticos com capacidade de lançar mísseis com ogivas nucleares e com outros meios navais, bem como possui a maior frota de navios quebra-gelos da região. Ademais a China em sua política para o Ártico, se proclamou como o "próximo Estado Ártico", trazendo muita controvérsia ao tema. Além disso, tem-se verificado uma presença maior de meios navais chineses no Atlântico Norte, que é quase indissociável do Ártico, sendo mais uma ameaça aos interesses e à segurança dos EUA;

  • "A Estrela Vermelha: o crescimento da marinha chinesa e os seus impactos geopolíticos", disponível em https://www.atitoxavier.com/post/a-estrela-vermelha-o-crescimento-da-marinha-chinesa-e-os-seus-impactos-geopolíticos , falamos que a China considera o seu poder naval como um instrumento fundamental em sua política de implementar o "Sonho Chinês", bem como para o atingimento de seus objetivos geopolíticos. Dessa forma, realizou um planejamento de crescimento de sua força naval, baseando-se na US Navy, bem como adota uma estratégia marítima e naval com similaridades com a do estadunidense Alfred Thayer Mahan. Recentemente se transformou numa das marinhas mais poderosas do mundo, sendo um desafio aos EUA na era da competição entre as grandes potências, e nesse período de "Guerra Fria" sino-estadunidense.

Nesse cenário, em dezembro deste ano, os EUA promulgaram a sua nova estratégia naval, formulada pela Secretaria da Marinha e conhecida como Advantage at Sea - Prevailing with

Integrated All-Domain Naval Power, disponível no Blog no link https://de9abb8c-83aa-4859-a249-87cfa41264df.usrfiles.com/ugd/de9abb_62b6c68e82b343c591542baef5b93d5b.pdf , sendo a última estratégia datada de 2015. Tal estratégia tem a intenção de ser uma referência para que US Navy, US Marine Corps e US Coast Guard continuem contribuindo para o atingimento dos objetivos geopolíticos estadunidenses na próxima década.

De forma resumida, informamos os principais pontos do documento:

  • reconhece que a China possui a maior marinha do mundo, mas não afirma que é a mais poderosa;

  • coloca a China e a Rússia como as suas principais ameaças, mas dá grande ênfase a ameaça chinesa como a preponderante;

  • que é a primeira vez, desde a II Guerra Mundial, que os EUA têm que atentar para realizar um apoio logístico aos seus meios navais em um ambiente hostil;

  • que o controle do mar já não é mais assegurado como no passado;

  • que mais de 60% dos seus meios navais estão operando na região do Indo-Pacífico e Pacífico Ocidental;

  • traça o caminho que deve ser trilhado pela US Navy, US Marine Corps e US Coast Guard para fazer frente a todos os desafios impostos na era da competição entre as grandes potências;

  • concita a uma maior e melhor integração dos principais stakeholders do poder marítimo dos EUA;

  • a região do Ártico está sendo uma área de disputa com a China e a Rússia;

  • a emergência climática impactará em suas forças;

  • exige uma postura mais assertiva da US Navy, US Marine Corps e US Coast Guard nas operações diárias.

Sendo assim, a nova estratégia se baseia em cinco pontos:

  1. Generating Integrated All-Domain Naval Power: por meio da integração das capacidades em todos os ambientes operacionais as suas forças conseguirão expandir a sua influência e controle em todos os cenários;

  2. Strengthening alliances and partnerships: intenção de fortalecer e incrementar as alianças e parcerias com mais países, visando obter vantagem operacional sobre os rivais aos interesses geopolíticos dos EUA;

  3. Prevailing in day-to-day competition: será adotada uma postura mais assertiva e persistente por parte das suas Forças Navais quando operando em qualquer região e contra os seus rivais;

  4. Controlling the seas: em caso de conflito, a US Navy, US Marine Corps e US Coast Guard estabelecerão, manterão e explorarão o controle do mar em um ambiente hostil, desde os litorais até o alto mar. Para tanto, aumentarão os investimentos em letalidade e capacidade das suas forças navais;

  5. Modernizing the future force: demonstra a necessidade de ser incansável na busca pela modernização das suas forças navais e no desenvolvimento de novas tecnologias, constituindo uma força naval híbrida composta pelos meios navais existentes, implementação de novos meios como navios menores, navios anfíbios mais leves, aeronaves modernas, e meios não tripulados, bem como serão expandidas as atividades logísticas. Ademais, serão realizados grandes investimentos no pessoal por meio de adestramentos e cursos inovadores, com o intuito de melhorar a qualificação de todos que guarnecem a US Navy, US Marine Corps e US Coast Guard.

O Blog é de opinião de que o documento é bem claro e objetivo, mostrando as preocupações estadunidenses com os seus principais rivais e ameaças. Além disso, demonstra que os EUA necessitam de aliados para se contraporem aos desafios vislumbrados, notadamente a China, e que sozinhos não são capazes de manter as linhas de comunicações marítimas livres e seguras, pois mais da metade de seu poder naval está concentrado no Indo-Pacífico e Pacífico Ocidental.

Nesse sentido, o documento é bastante realista e mostra o caminho para que em 2030 as suas forças navais continuem sendo dominantes no cenário internacional, e se investimentos não forem realizados em seu poder naval poderá haver um grande impacto em sua liderança mundial.

Qual a sua opinião?

Seguem alguns vídeos sobre o assunto:

Matéria de 19/12/2020:

Matéria de 21/12/2020:



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