top of page

A invasão da Ucrânia: o que pode sinalizar para o mundo? Parte II


Figura disponível em https://media.cnn.com/api/v1/images/stellar/prod/240222181408-kherson-ukraine-russia-war-two-years-pkg-walsh-lead-vpx-00003125.png?c=original

No dia 24 de fevereiro de 2022, dia da invasão russa ao território ucraniano, escrevemos o artigo "A invasão da Ucrânia: o que pode sinalizar para o mundo?", disponível em https://www.atitoxavier.com/post/a-invasão-da-ucrânia-o-que-pode-sinalizar-para-o-mundo.

No artigo dissemos que o discurso utilizado por Putin, à época, justificando a invasão à Ucrânia encontrava similaridade com o estadunidense por ocasião da invasão ao Iraque, em 2003, no momento que alegou que o invadido representava uma ameaça a segurança do invasor. Além de outras análises, também, afirmamos que a invasão fazia parte de uma construção de Putin, planejamento de muito tempo, de retomar a grandiosidade russa de esfera de poder e que o líder russo vinha preparando o seu país para um momento como esse, por meio do fortalecimento militar, melhor posicionamento geográfico de suas forças, aumento das suas reservas internacionais para enfrentar graves crises econômicas, parcerias estratégicas que permitiriam passar por sanções econômicas, aumento da dependência dos europeus das fontes de energia russas, testando ao longo dos anos a reação da OTAN, e em especial dos EUA, bem como foram aperfeiçoando a guerra cibernética. Ademais, a invasão seria o maior teste para a OTAN e principalmente para os EUA, pois a resposta desses atores poderia encorajar a China em suas aspirações geopolíticas no Pacífico Ocidental.

Desde a invasão, continuamos a acompanhar a guerra e publicamos os seguintes artigos:


Apesar do apoio financeiro e militar dos EUA e dos seus aliados que permitiram aos ucranianos executarem uma contraofensiva, que foi amplamente alardeada tanto pela mídia ocidental quanto pelo governo de Kiev como uma eficaz resposta, com esperanças de vitória, à agressão russa, ela tem se mostrado um fracasso.

Outro ponto que convém mencionar é que as Inteligências Operacionais de todos os envolvidos, principalmente a dos ucranianos, foram influenciadas pela mídia, com as suas análises por vezes equivocadas, e por analistas de inteligência de fontes abertas - OSINT, o que acabou impactando negativamente em certos processos de tomada de decisão.

Tal insucesso, que transformou a guerra num conflito de atrição, está colocando muita pressão política na Ucrânia em obter sucessos militares para continuar recebendo ajuda financeira (muitos bilhões de dólares) e militar, pois os países contribuintes têm demonstrado um certo desgaste e indicam que poderão diminuir o apoio, principalmente os EUA caso Donald Trump vença a eleição presidencial deste ano.

Nesse sentido, o governo ucraniano trocou o comandante de suas forças armadas com o intuito de tentar obter melhores resultados no campo de batalha.

Na pesquisa abaixo podemos ver que a porcentagem que é favorável ao aumento do apoio a Ucrânia é minoritária, e em somente dois países ela é considerável, como o Reino Unido e a Suécia:


Figura disponível em https://yougov.co.uk/international/articles/48720-ukraine-war-two-years-on-the-view-from-western-europe-and-the-us

A maioria das populações que participaram da pesquisa acredita que a Rússia está levando certa vantagem na guerra:

Figura disponível em https://yougov.co.uk/international/articles/48720-ukraine-war-two-years-on-the-view-from-western-europe-and-the-us

Em que pese a ajuda ocidental aos ucranianos e as pesadas sanções, de toda ordem, aplicadas aos russos, o governo de Moscou, por meio de parcerias estratégicas com outros países não alinhados com o Ocidente, conseguiu manter a sua economia funcionando, o que permitiu a sua base industrial de defesa manter o esforço de guerra, bem como isto vem possibilitando a sua modernização.

É digno de nota que a Rússia informou que 95% das suas forças nucleares foram atualizadas, bem como várias indústrias de defesa. Esse fato tem possibilitado que os russos comecem a retomar a ofensiva, justamente no momento em que os ucranianos estão com falta de munição.

Logo, verifica-se que a Rússia que iniciou o conflito demonstrando certo "amadorismo", que surpreendeu muitos especialistas em defesa e estratégia e que vem contando com o apoio militar da Coreia do Norte e do Irã, agora apresenta um maior vigor militar, incrementando a sua autossuficiência, ou seja, uma Rússia mais forte militarmente, o que aumenta a sensação de insegurança da Europa Ocidental.

Essa nova demonstração de uma Rússia revigorada pode encorajar a região separatista pró russa da Moldávia, chamada Transnístria, a ser mais um problema para a OTAN, pois está previsto para 28 de fevereiro um referendo para aprovar a sua anexação à Rússia. A alegação seria que a anexação protegeria os cidadãos russos contra as ameaças do Ocidente. Cabe relembrar que a região já possui tropas russas efetuando a sua segurança.

No mapa abaixo podemos ver que a Transnístria possui fronteira com a Ucrânia, e caso seja anexada pelos russos, poderá servir como um futuro apoio logístico e mais uma frente de pressão militar contra os ucranianos.


Figura disponível em https://c.files.bbci.co.uk/13F9/production/_127831150_bbcm_moldova_transnistria_profile_301122.jpg

O vídeo abaixo de 23/02/2024 ratifica a nossa afirmação acima:


Portanto, podemos concluir que 2024 será um ano crucial para a Ucrânia, pois existe uma grande probabilidade do país ter que negociar um cessar fogo em posição desfavorável, caso o apoio Ocidental diminua e os russos recuperem a ofensiva.

Nos mapas abaixo podemos ver a evolução do conflito até agora:


Figura disponível em https://www.msn.com/en-za/news/world/five-maps-show-where-the-war-in-ukraine-stands-after-two-years/ar-BB1iLiX0#fullscreen

Dessa forma, após dois anos desse conflito, que considero um dos mais importantes e impactantes em território europeu, desde a II Guerra Mundial, cabem algumas considerações para reflexões dos nossos leitores:


  • o uso de trincheiras e de minas continua sendo um método de defesa importante no Século XXI, com isso não podem ser ignorado e menosprezado no planejamento militar;

  • um país sem uma marinha de guerra relevante pode fazer frente a um poder naval superior, por meio da inventividade (criatividade, pensar "fora da caixa") e do emprego da tecnologia - vide o uso de drones aéreos e navais em ataques à navios de guerra russos, bem como mísseis antissuperfície de longo alcance;

  • vamos para a guerra com o que temos e não com o que gostaríamos, então faz-se necessário que o Estado mantenha uma razoável base industrial de defesa, bem como as suas forças armadas bem equipadas e adestradas;

  • alianças estratégicas são fundamentais para um conflito de longa duração, ainda mais quando o oponente possui poder econômico e militar consideráveis;

  • uma boa análise de Inteligência Operacional é fundamental no assessoramento do planejamento militar;

  • a Europa Ocidental não é mais dependente do gás e petróleo russo;

  • caso a Rússia consiga anexar parte do território ucraniano, que atualmente ocupa cerca de 20%, ela será a grande vencedora do conflito e aumentará a sensação de ameaça ao Ocidente. Além disso, poderá encorajar outros regimes ditatoriais a desafiar o Ocidente, bem como aumentará a sua influência sobre os países não alinhados, especialmente na África, Oriente Médio, Ásia Central e em certos países da América Latina, o que poderá colidir com os interesses geopolíticos da China.


Assim, o uso contínuo dos Jogos de Guerra no tempo de paz, e durante os períodos de tensão é fundamental para verificar possíveis vulnerabilidades, bem como para achar possíveis linhas de ação.

O Blog é de opinião que existe uma grande probabilidade de que haja um acordo de cessar fogo no final de 2024, e que nele a Ucrânia negociará em posição desfavorável, o que permitirá aos russos manter uma parte do território ucraniano que servirá como um "tampão" contra a ameaça da OTAN.

Portanto, a imagem e a narrativa de Vladimir Putin sairão fortalecidas tanto no campo interno quanto no externo.

Qual a sua opinião?

Seguem alguns vídeos para ajudar em nossa análise:

Matéria de 23/02/2024:

Matéria de 23/02/2024:

Matéria de 23/02/2024:

Matéria de 22/02/2024:

Matéria de 22/02/2024:

Matéria de 23/02/2024:

Matéria de 23/02/2024:

Matéria de 22/02/2024:


Commentaires


bottom of page