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A estratégia dos EUA para o Indo-Pacífico: reação contra o expansionismo chinês.


Figura disponível em: https://foreignaffairsnews.com/wp-content/uploads/2022/02/Indo-Pacific.jpg

Em fevereiro deste ano, os EUA promulgaram a sua estratégia para a região do Indo-Pacífico, intitulada Indo-Pacific Strategy of the United States, disponível no Blog no link:

https://de9abb8c-83aa-4859-a249-87cfa41264df.usrfiles.com/ugd/de9abb_4a1ff7ba0f0640e99f822b7818b1df98.pdf, com o firme propósito de recuperar a sua liderança nessa região, pois ela é considerada fundamental para a segurança e a prosperidade dos EUA. Um ponto interessante do documento nos mostra como os EUA, desde o governo de George W. Bush passando por Barack Obama e Donald Trump, vêm engajando com essa região, culminando com Biden nessa tentativa de recuperar o protagonismo geopolítico do passado (antes do crescimento da China).

Dessa forma, em nossa análise, trata-se de mais uma iniciativa estadunidense para conter o expansionismo chinês numa parte do mundo extremamente estratégica, em que pese citar a preocupação com a Coreia do Norte.

A região é considerada estratégica, pois é responsável por cerca de 60% da economia mundial com potencial de aumento, possui mais da metade da população do planeta, bem como apresenta dois terços do crescimento global.

A afirmativa que destacamos anteriormente encontra respaldo no seguinte trecho do documento:


"This intensifying American focus is due in part to the fact that the Indo-Pacific faces mounting challenges, particularly from the PRC*. The PRC is combining its economic, diplomatic, military, and technological might as it pursues a sphere of influence in the Indo-Pacific and seeks to become the world’s most influential power. The PRC’s coercion and aggression spans the globe, but it is most acute in the Indo-Pacific. From the economic coercion of Australia to the conflict along the Line of Actual Control with India to the growing pressure on Taiwan and bullying of neighbors in the East and South China Seas, our allies and partners in the region bear much of the cost of the PRC’s harmful behavior. In the process, the PRC is also undermining human rights and international law, including freedom of navigation, as well as other principles that have brought stability and prosperity to the Indo-Pacific. Our collective efforts over the next decade will determine whether the PRC succeeds in transforming the rules and norms that have benefitted the Indo-Pacific and the world."

* - República Popular da China


É digno de nota que existem outras alianças lideradas pelos EUA para conter o expansionismo chinês na região como o QUAD, AUKUS e Five Eyes, que foram objeto de análise do Blog, por meio de vários artigos, dentre os quais sugerimos a releitura dos que seguem abaixo:


- "A nova aliança AUKUS, o desbalanceamento do Poder Naval, e os possíveis impactos geopolíticos", disponível em https://www.atitoxavier.com/post/a-nova-aliança-aukus-o-desbalanceamento-do-poder-naval-e-os-possíveis-impactos-geopolíticos;


- "Seção Inteligência: aliança de inteligência Five Eyes e seus objetivos geopolíticos", que pode ser lido em https://www.atitoxavier.com/post/seção-inteligência-aliança-de-inteligência-five-eyes-e-a-china;


- "Instabilidade na região do Indo-Pacífico e a possível recriação da Primeira Esquadra dos EUA", acessível em https://www.atitoxavier.com/post/instabilidade-na-região-do-indo-pacífico-e-a-possível-recriação-da-primeira-esquadra-dos-eua ; e


- "A Estrela Vermelha: o crescimento da marinha chinesa e os seus impactos geopolíticos", que pode ser lido em https://www.atitoxavier.com/post/a-estrela-vermelha-o-crescimento-da-marinha-chinesa-e-os-seus-impactos-geopolíticos.


Convém mencionar que há várias estratégias de países e de blocos exógenos ao Indo-Pacífico, que foram promulgadas antes da estadunidense de 2022, como a da União Europeia - UE, promulgada em abril de 2021 e conhecida como "EU Strategy for Cooperation in the Indo-Pacific" e cuja a leitura pode ser feita no Blog por meio do link https://de9abb8c-83aa-4859-a249-87cfa41264df.usrfiles.com/ugd/de9abb_af9ae9bff74a4c0d849ae5698d48fb53.pdf, da França e da Alemanha. Além disso, existem, também, as estratégias de potências locais, como o Japão.

Nesse sentido, ao lermos o documento, vemos que ele coloca os EUA liderando um esforço multinacional, tendo como principais aliados os seus tradicionais parceiros ocidentais e os dessa região (Japão, Coreia do Sul e Austrália), bem como atraindo os países da Associação de Nações do Sudeste Asiático - ASEAN. Assim, vemos que os EUA tentam concentrar todas as iniciativas sob a sua "batuta", concentrando os esforços.

A estratégia estadunidense é baseada em 5 objetivos:

- região do Indo-Pacífico aberta e livre: construção de valores ocidentais, como democracia, liberdade de expressão, transparência e observação do direito internacional;

- criação de uma capacidade coletiva: a criação de laços entre o Indo-Pacífico e o Euro-Atlantismo, fortalecimento da aliança QUAD, o fortalecimento da ASEAN, o apoio ao crescimento da liderança regional da Índia, o aprofundamento das alianças e parcerias com a Austrália, Japão, Coreia do Sul, Filipinas e Tailândia, e o estreitamento do relacionamento com alguns países como Taiwan, Nova Zelândia, Índia;

- prosperidade regional: proposta de uma economia que incentive a inovação, a competitividade com bons salários etc;

- incremento na segurança: aumentar a capacidade de dissuasão contra possíveis agressões e coerção contra os EUA e os seus aliados. Assim, deverá: aumentar a presença da Guarda Costeira dos EUA na região, continuar a implementação do AUKUS, incrementar a interoperabilidade entre as forças dos países parceiros, e prestar um continuado apoio militar à Taiwan em sua autodefesa; e

- implementar a resiliência regional contra ameaças transnacionais: combater o aquecimento global que causam desastres naturais, mitigar a escassez de recursos naturais, e combater à COVID-19 fortalecendo a segurança sanitária.

O Blog é de opinião de que essa recente estratégia dos EUA para o Indo-Pacífico tem a intenção de organizar e liderar uma aliança análoga a OTAN contra a crescente influência chinesa na região, e com isso fica clara a intenção de competir e não de cooperar com a China.

Destarte, acreditamos que a implementação dessa estratégia aumentará o desgaste e o estresse no relacionamento entre os EUA e a China, bem como poderá elevar ainda mais a tensão na região, caso os países da ASEAN saiam da sua posição de relativa neutralidade e pendam para o lado dos estadunidenses.

Portanto, a análise que fizemos no nosso artigo "A Aliança Estratégica Sino- Russa e a Nova Ordem Mundial", disponível em https://www.atitoxavier.com/post/a-aliança-estratégica-sino-russa-e-a-nova-ordem-mundial, ganha cada vez mais sentido.

Qual a sua opinião?

Seguem alguns vídeos para ajudar em nossa análise:

Matéria de 17/02/2022:

Matéria de 21/02/2022 (esse vídeo mostra a crítica dessa estratégia por parte da China):

Matéria de 22/02/2022:

Matéria de 07/03/2022 (esse vídeo mostra a resposta oficial chinesa quanto a estratégia estadunidense):

Matéria de 22/10/2021 (esse vídeo mostra visão francesa para a região do Indo-Pacífico):

Matéria de 28/09/2018 (esse vídeo mostra a estratégia do Japão para o Indo-Pacífico):


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