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A crise do Líbano: colapso à vista. Possibilidade de aumento da instabilidade na região. Parte II


Figura disponível em: https://d1e00ek4ebabms.cloudfront.net/production/eaa35bda-0fa7-47e6-a9b9-318033279454.jpg

O Líbano está vivendo uma verdadeira crise econômica e social, conforme apresentado pelo Blog no post: A crise do Líbano: colapso à vista. Possibilidade de aumento da instabilidade na região, disponível em: https://www.atitoxavier.com/post/a-crise-do-líbano-colapso-à-vista-possibilidade-de-aumento-da-instabilidade-na-região .

Além do comentado por nós, convém ressaltar que a referida crise estava sendo aprofundada pela decisão dos EUA em realizar sanções econômicas contra o regime sírio de Bashar al-Assad, por meio do Caesar Syria Civilian Protection Act of 2019, ou mais conhecido por Caesar Act que tem por objetivo pressionar uma mudança do governo, "estrangulando-o"economicamente, onde pessoas, organizações ou governos sofreriam sanções por parte estadunidense, caso dessem apoio ao atual governo sírio. Dessa forma, além desse país, seriam atingidos, também, o Irã (aliado militar e financiador), Rússia (aliado militar), e o Líbano, atingindo secundariamente o grupo Hezbollah.

Convém mencionar, que o Líbano é importante para a Síria, pois permitia ao regime de al-Assad sobreviver economicamente por meio de comércio e do uso de seu sistema bancário, mas com o Caesar Act o governo libanês ficou impossibilitado de continuar auxiliando informalmente o governo sírio, tendo impacto em sua economia.

Outro fator complicador é que o Fundo Monetário Internacional e os países ocidentais alegam que só ajudarão financeiramente o governo libanês, por meio de empréstimos, caso haja reformas políticas (saída do Hezbollah do cenário político) e econômicas (devido a corrupção e as más práticas de gestão) no país.

Essa problemática libanesa foi tragicamente potencializada pela explosão de um armazém (hangar 12) no porto de Beirute, onde se armazenavam 2.570 toneladas de nitrato de amônio (de conhecimento público) que haviam sido confiscadas de um navio que saiu da Geórgia com destino a Moçambique há mais de seis anos. Essa é a versão oficial até o momento, mas ainda não há certeza da causa da explosão, podendo também ser um atentado.

Para um melhor entendimento do impacto econômico da destruição do porto de Beirute, é importante pontuar os seguintes dados:

  • está entre os portos mais movimentados do Mediterrâneo;

  • funciona como um hub comercial para toda a região, pois com a presença da Força-Tarefa Marítima da UNIFIL, tornou-se um porto seguro, fazendo com que os preços dos seguros marítimos diminuíssem;

  • possui localização estratégica entre a Ásia Oriental, África e a Europa;

  • o porto é responsável por cerca de 80% da movimentação de carga que chega ao Líbano;

Devido a interdição desse porto, será necessário que o governo libanês envide grandes esforços para que os os portos de Saida e Tripoli possam operar em sua máxima capacidade, visando mitigar o problema. Acredita-se que serão necessários um grande volume de recursos financeiros para recuperar a infraestrutura portuária destruída.

Conforme informações do governo do Líbano, o país possui, agora, estoque de grãos para somente um mês, o que coloca a segurança alimentar do país em sério risco.

Com todos esses problemas econômicos e sociais, e sem perspectiva de ajuda dos países ocidentais e árabes (Árabia Saudita, e Emirados Árabes Unidos), o Líbano poderá se transformar numa nova Venezuela. Dessa forma, o país começa a olhar para a China, e a cogitar uma possível parceria econômica (inclusão no Belt and Road Iniciative e outros projetos de infraestrutura), podendo se tornar, assim, um palco de disputa geopolítica entre EUA e China (lembremos que o país é fonte de disputa entre iranianos e sauditas), em que pese ter influência ocidental e laços com os EUA.

Caso a parceria sino-libanesa se concretize será um marco para a China, que não tem grande influência na região, bem como diminuirá o peso dos EUA. Acordo várias fontes, a China possui interesse em investir no Líbano, e agora seria a oportunidade perfeita.

Nesse cenário caótico, o Blog é de opinião que a China apresenta-se como uma possível "tábua de salvação" libanesa, e que caso haja um acordo entre esses países, será uma derrota geopolítica muito forte para os EUA, bem como um alívio para o Irã, a Síria e o Hezbollah. Outrossim, caso não haja ajuda financeira ao Líbano, continuamos a afirmar que o país mergulhará num caos, e estarão sendo criadas oportunidades para o surgimento de grupos extremistas, devido ao extremo problema social, que poderão mergulhar o país num região turbulenta.

Agora resta acompanharmos o desenrolar dos acontecimentos e esperar que a explosão não seja resultante de um atentado, pois isso poderá resultar em conflitos e trazer mais sofrimento a população libanesa.

Seguem alguns vídeos para aprofundarmos as nossas análises:

Como era o porto de Beirute antes da explosão, podemos ver que o setor de contêineres era moderno:


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